Título: Cesta básica sobe 8,65% em um ano
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 20/01/2005, Brasília, p. D5
E, segundo o Dieese, supera o Índice de Custo de Vida nacional que fechou 2004 em 7,70%
Brasília foi uma das cidades em que o custo da cesta básica mais subiu em 2004. Perdeu apenas para Vitória, Espírito Santo, entre as 16 capitais pesquisadas pelo Dieese. De acordo com o levantamento do órgão, em três capitais o aumento superou o Índice do Custo de Vida (ICV) nacional, calculado pelo Dieese em 7,70% no ano passado. Em Brasília, o custo da cesta básica no decorrer do ano foi de 8,65%. Em Vitória, de 9,41%. Já em em Goiânia, a terceira colocada, ficou em 7,87%. Em seis cidades (cinco delas no Nordeste) o custo da cesta básica caiu. As principais reduções foram em Recife (5,17%), Aracaju (4,40%) e Salvador (3,56%).
Puxaram para cima o custo de vida brasiliense, pela ordem, a batata, o tomate, o café e a banana. Em contrapartida, arroz, açúcar, óleo e feijão estão mais baratos que em 2003. O pãozinho subiu 5,76%, abaixo portanto que a média da cesta básica. E o morador do Distrito Federal que ganha salário mínimo precisa trabalhar um pouquinho mais para comprar a cesta básica: se em dezembro de 2003 eram necessárias 142 horas e 21 minutos de trabalho para adquirir todos os seus itens, agora se precisa de 142 horas e 46 minutos.
Em dezembro, somente quatro localidades apresentaram recuo no preço da cesta, o mais significativo em Belo Horizonte (-2,38%). As elevações mais acentuadas foram apuradas em Natal (3,15%), Brasília (2,94%) e Vitória (2,68%). Os maiores valores para o conjunto de produtos básicos ocorreram em localidades onde a cesta conta com treze produtos: Porto Alegre (R$ 174,75); São Paulo (R$ 172,20); Brasília (R$ 168,73) e Rio de Janeiro (R$ 165,38). Já os custos menores foram apurados em cidades do nordeste, onde são acompanhados os preços de doze itens: Recife (R$ 122,99); Fortaleza (R$ 124,73); Salvador (R$ 125,84) e João Pessoa (R$ 126,13).
De acordo com o Dieese, o salário mínimo necessário em dezembro para suprir o trabalhador em suas despesas com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, deveria ser R$ 1.468,08, ou 5,64 vezes o valor vigente. Em dezembro de 2003, o piso necessário correspondia a R$ 1.420,61, 5,92 vezes o valor em vigor (R$ 240,00).
Na média das 16 capitais, para adquirir o conjunto de produtos essenciais, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo necessitou, em dezembro, cumprir uma jornada de 124 horas e 48 minutos, quase uma hora a mais que a exigida no mês anterior (123 horas e 51 minutos). Quando se realiza a comparação anual, porém, verifica-se que, o tempo de trabalho para a mesma compra apresentou pequeno recuo, uma vez que em dezembro de 2003 o trabalhador precisava cumprir 131 horas e 58 minutos.