Título: Prioridade é reforma tributária e social
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/01/2005, Internacional, p. A7

Antes de ter jurado para o segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, George Bush já planejava a agenda política dos próximos quatro anos, que promete ser polêmica.

- Ganhei capital político nas eleições e planejo gastá-lo a minha maneira - disse Bush.

Os grupos que o apoiaram confiam que o presidente vá cumprir a palavra.

O líder evangélico, reverendo Pat Mahoney, não tem dúvida de que Bush irá banir de seu governo questões como casamento gay, além de controlar as práticas de aborto.

- Esperamos que o presidente cumpra muitos dos compromissos que assumiu com suas bases - advertiu Mahoney, lembrando que milhares de votos de cristãos conservadores propiciaram o juramento de ontem, no Capitólio.

Mas segundo Norman Ornstein, do American Enterprise Institute, é provável que os conservadores não fiquem satisfeitos.

- O histórico dos segundo mandatos é de desapontamento de parte da base - alertou.

A intenção de Bush é concentrar os esforços na reforma tributária e na dura batalha para reparar o Seguro Social, o sistema de pensão pública dos EUA.

- Mesmo que não se esteja concorrendo à reeleição, a política ainda importa. E para conseguir cumprir compromissos, o melhor é apostar no que é seguro - afirmou Ornstein, acrescentando que estas questões não causam grande divisão dentro do partido republicano.

Apesar das promessas de mais diálogo e reconstrução de alianças na política externa, o segundo mandato não deve apresentar grandes mudanças na área diplomática, afirma John Hullsman, da Heritage Foundation. Segundo ele, o tom será mais suave, mas a linha motriz não muda: Os EUA não vão dispensar ''ataques preventivos'' e não vão mudar sua política sobre Israel, Irã e Coréia do Norte.

Também não vão mudar a política de livre comércio e a luta contra o terrorismo.

- Haverá multilateralismo, mas nos termos de Bush - explica Hullsman.