Título: A cruzada da democracia
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 21/01/2005, Internacional, p. A7
George Bush toma posse para o segundo mandato prometendo 'acabar com a tirania no mundo'
WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George Bush, tomou posse ontem e deu início ao segundo mandato prometendo ''acabar com a tirania no mundo''. Bush afirmou, no discurso de posse, que o ''objetivo supremo'' do seu governo será espalhar a democracia para todas as nações e povos do planeta.
- É a política dos Estados Unidos buscar e apoiar o crescimento de movimentos e instituições democráticas em cada nação e cultura, com o objetivo supremo de pôr um fim à tirania no mundo - declarou Bush, após a solenidade de juramento no cargo.
A expressão ''tirania'', utilizada pelo presidente no discurso, também esteve presente no pronunciamento no Senado da candidata à secretária de Estado Condolezza Rice, na terça-feira, para se referir a países como: Cuba, Bielo-Rússia, Irã, Mianmar, Coréia do Norte e Zimbábue.
Bush prometeu que os Estados Unidos não vão ignorar o drama de quem vive sob a ''tirania'' ou mesmo desculpar os opressores.
- Estaremos com vocês - afirmou.
A 10 dias das eleições iraquianas, Bush assegurou que a sobrevivência da liberdade nos Estados Unidos depende cada vez mais do êxito da democracia em outros países.
- Enquanto regiões inteiras do mundo estiverem imersas em ressentimentos e tirania, submetidas a ideologias que alimentam o ódio e perdoam o assassinato, a violência só aumentará, convertendo-se em potência destruidora que cruza fronteiras - disse o presidente. - A melhor esperança de paz em nosso mundo é a expansão da liberdade por todo o planeta.
Sob o frio e a neve, Bush citou o Coorão mas evitou falar da guerra contra o terrorismo perante meio milhão de pessoas.
- No longo prazo, não há justiça sem liberdade e muito menos pode haver direitos humanos sem liberdade - afirmou o republicano, cujo primeiro mandato foi marcado pelos atentados de 11 de Setembro e as guerras contra os talibãs, no Afeganistão, e contra o regime de Saddam Hussein, no Iraque.
Bush mencionou os atentados de 2001, lembrando que, naquela data, os americanos perceberam o quanto podem ser vulneráveis.
- Meu dever mais solene é proteger esta nação e seu povo contra futuros ataques e ameaças.
Na mensagem aos que lutam contra regimes autoritários, reformistas que estão encarcerados e exilados, Bush afirmou que a Casa Branca os considera futuros líderes de nações livres.
- A liberdade alcançará todos que a desejarem - disse o presidente.
Antes de concluir o discurso, o presidente prestou homenagens ao sacrifício e à honra dos que morrem ''ajudando a criar governos livres'', em alusão às tropas no Iraque, onde o número de mortes já chega a 1.364 militares americanos.
Os manifestantes não se intimidaram com a multidão republicana que invadiu a capital nos últimos dias.
Milhares de pessoas protestaram com faixas que chamavam Bush de criminoso de guerra, mas foram obrigadas a fazer o protesto no itinerário autorizado, distante da avenida Pensilvânia, que o presidente teve de percorrer após deixar o Capitólio rumo à Casa Branca.
Uma ampla zona do centro de Washington foi fechada aos automóveis, enquanto os cidadãos que têm um passe especial para assistir às cerimônias tiveram que passar por detectores de metal e vários controles de segurança.