Título: Mandato começa com protestos
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/01/2005, Internacional, p. A9
Milhares de pessoas se reuniram em Washington para protestar contra a guerra no Iraque e contra o presidente George Bush, que ontem assumiu seu segundo mandato na Presidência dos Estados Unidos. A gritos de ''paremos a guerra'' e ''levem-nos à Casa Branca'', os manifestantes se concentraram em diversos pontos da cidade e fizeram uma passeata rumo ao caminho do desfile da posse, lotando alguns dos pontos de encontro estabelecidos pela polícia.
- Muitas vidas americanas e iraquianas foram perdidas por causa de uma mentira - disse Maureen Whaley, de 40 anos.
- Disseram essas mentiras em nosso nome - completou, indignada, Tabitha Dallenbach, de 19 anos.
Com elas, estavam socialistas, punks com cabelos coloridos, anarquistas e até representantes de grupos religiosos.
- Não duvido que Bush tenha fé, mas acho que está errado. E me incomoda o fato de ele achar que fala em nome da Igreja cristã - afirmou Sarah Scruggs, do grupo Sojourners.
- O que experimentei no Iraque me enche de culpa e remorso. Por isso, condeno a guerra - disse Adan Delgado, um ex-soldado de origem cubana que discursou aos manifestantes, reunidos no parque Malcolm X.
Na rua ao lado, havia centenas de caixões de papelão cobertos com bandeiras americanas, representando os recrutas mortos. No manifesto, Delgado afirmou que os US$ 40 milhões gastos em festas pela posse deveriam ter sido empregados na blindagem de veículos e compra de coletes anti-balas para os soldados no Iraque.
Estima-se que este tenha sido o maior ato de protesto durante a posse de um presidente nas últimas décadas. No entanto, as extraordinárias medidas de segurança tornam muito difícil que a mensagem de repúdio chegasse diretamente a Bush.
Seis mil de agentes foram colocados nos perímetros do Congresso, da Casa Branca e do percurso do desfile, que percorreu os 3 km que separam ambos os edifícios. A polícia também bloqueou o tráfego de 100 quarteirões do centro de Washington, atravessou ônibus nas avenidas e submeteu cidadãos a revistas exaustivas - para evitar atentados.