Título: Odebrecht retira funcionários
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Fonte: Jornal do Brasil, 15/02/2005, Internacional, p. A12
Empresa continua sem informações sobre brasileiro desaparecido. Insurgentes preparam megaoperação
BAGDÁ - O provável seqüestro de um funcionário brasileiro da empresa Odebrecht, desaparecido quarta-feira no Iraque, fez com que a construtora decidisse retirar os funcionários do país. A informação, não confirmada pela assessoria de imprensa no Brasil, foi divulgada ontem pelo responsável da operação da Odebrecht no Iraque, Glaibor Faria.
- Os funcionários serão levados para Amã, capital da Jordânia, por enquanto, até que tenhamos condições de retomar o processo - disse.
Estima-se que a empresa tenha entre cinco ou seis empregados no país árabe e só Faria deve permanecer.
Segundo ele, não há informações sobre o brasileiro desaparecido - que aparentemente trabalhava como engenheiro e é do Rio de Janeiro -, nem os possíveis seqüestradores estabeleceram contato.
Faria afirmou que houve um declínio da segurança em Beiji - onde ocorreu o seqüestro e está localizada a usina termoelétrica que a Odebrecht estava reformando -, principalmente após a ofensiva americana contra Faluja, reduto rebelde.
Para Paulo Joppere, chefe do núcleo diplomático brasileiro para o Iraque, com sede na Jordânia, ''há a expectativa de que o ato tenha sido praticado por bandidos em busca de resgate'', já que a região não tem sido palco de ataques da insurgência. Ele afirmou, no entanto, que ainda não há como descartar qualquer possibilidade, incluindo a de que tenha sido capturado por rebeldes.
- O cidadão brasileiro é muito bem quisto no Iraque. Agora, existe uma situação atípica e o fato de ser brasileiro não diferencia muito. Não há uma nacionalidade que esteja hoje segura no Iraque - disse à BBC, acrescentando que os funcionários da Odebrecht vão para Bagdá e não para Amã, como informou Faria.
No momento do ataque, o brasileiro estava em um carro com dois funcionários - um iraquiano e um britânico - da empresa de segurança britânica Janusian Security Risk Managment, que foram mortos. Na quarta-feira, acreditava-se que ele era empregado da firma e não da Odebrecht, o que só foi confirmado depois.
Procurado pelo JB, o Itamaraty afirmou estar em contato com a empresa e prestando a ajuda necessária, mas não deu mais detalhes sobre o caso.
Ontem, em comunicado na Internet, o grupo militante Exército de Ansar al-Sunna anunciou ter capturado e matado um britânico e um sueco na cidade onde o brasileiro foi supostamente seqüestrado.
''Os leões da fé do profeta Maomé foram capazes de emboscar e seqüestrar dois agentes - um britânico e um sueco - a serviço da agência de Inteligência das forças infiéis em Beiji, e a lei de Deus foi cumprida com a morte deles''. A data do incidente não foi especificada na mensagem, cuja autenticidade não pôde ser imediatamente verificada.
Um porta-voz da Chancelaria britânica negou ter detalhes do comunicado, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Suécia afirmou não saber do desaparecimento de seus cidadão no Iraque.
Também ontem, um funcionário de alto escalão da polícia iraquiana revelou que fontes de Inteligência, baseadas em informações obtidas em interrogatórios, estimam que 150 carros-bomba e 250 ataques suicidas estão preparados para atingir o país nos próximos dias. O alvo são as eleições, marcadas para o dia 30 de janeiro.