Título: Celulose mantém ritmo de expansão
Autor: Daniele Carvalho
Fonte: Jornal do Brasil, 21/01/2005, Economia, p. A18

Veracel inaugura unidade na Bahia no valor de US$ 1,2 bilhão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje da cerimônia de assinatura do financiamento que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) concederá à Veracel, fábrica de celulose do grupo Aracruz em parceria com a sueco-finlandesa StoraEnso. O empréstimo, no valor de R$ 21 milhões, destina-se à realização de obras de infra-estrutura em municípios da região da fábrica, localizada em Eunápolis, no extremo Sul da Bahia.

Entre as obras previstas no contrato estão a construção de uma rede de saneamento básico e a reforma de hospitais e escolas da região. O montante destinado à área social do projeto faz parte do financiamento total que o BNDES concedeu à Veracel, no valor de US$ 500 milhões, dos quais US$ 206 milhões já foram desembolsados.

A nova unidade da empresa, orçada em US$ 1,2 bilhão e com capacidade de 900 mil toneladas/ano, também recebeu empréstimos do European Investment Bank (de US$ 80 milhões) e do Northern Investment Bank (US$ 70 milhões).

Tanto a Aracruz quanto a StoraEnso estão de olho na expansão do mercado de celulose. Para o presidente da Veracel, Vitor Costa, a previsão é que a demanda continue a crescer cerca de 2% nos próximos anos.

- Seriam necessárias duas Veracel por ano para atender a esta demanda - acrescenta.

Com a unidade no Sul da Bahia, a Veracel antecipa um movimento que está sendo seguido por outras empresas. Somente na América Latina, entram em funcionamento, até 2008, duas novas unidades no Chile e está prevista ainda a expansão da BahiaSul. Com o início da produção prevista para maio, a Veracel terá a mais moderna planta de processamento de celulose do país, permitindo um melhor aproveitamento do eucalipto. Parte do resíduo será utilizado para gerar energia elétrica para a planta, por meio de uma termelétrica movida a biomassa.

- O tipo de muda e a tecnologia da planta permitem que 55% da árvore seja aproveitado em celulose. O aproveitamento de cada eucalipto chega a 98%, contra a média mundial de 94% - explica Costa.

Apesar da eficiência da planta e da qualidade das mudas cultivadas, um dos desafios que a Veracel poderá enfrentar nos próximos anos é o aumento de sua área para cultivo. Atualmente, dos 150 mil hectares que a empresa detém de área verde, metade é destinada à preservação florestal. Da metade restante, 80% são de propriedade da empresa, enquanto que os outros 20% seriam de fomento, ou seja, de agricultores que produzem eucalipto para o consumo da empresa.