Título: De cada 10 latino-americanos, 4 são favelados
Autor: Daniel Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 19/01/2005, País, p. A2
A pobreza faz com que 44% da população da América Latina vivam em favelas ou bairros precários, que só oferecem condições mínimas para sobreviver, segundo estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) divulgado ontem.
A maior parte das favelas se concentra nas cidades, onde vivem três de cada quatro latinos, diz o documento ''Pobreza e precariedade do habitat na América Latina'', preparado pela Cepal, com sede em Santiago.
Dos lares em bairros pobres, 76% apresentam problemas na qualidade da construção e dos serviços básicos, além da falta de segurança. Na maioria, são lares encabeçados por mulheres que acumulam o trabalho de dona de casa e de chefe da família, mas nem sempre o estado de pobreza se deve à informalidade do trabalho do provedor da casa.
- As famílias que vivem em favelas e casas precárias não necessariamente subsistem com base em empregos informais, assim como muitos lares que dependem de um trabalho informal desfrutam de uma boa casa - afirma o texto.
A situação de precariedade aumenta nos bairros pobres das pequenas cidades, aonde, em sua maioria, não chegam os recursos estatais.
- O desafio é prover de saneamento adequado cerca da metade dos lares pobres existentes nos centros urbanos - assinala o documento.
Nas áreas metropolitanas, as condições de vida são menos graves, mas seus habitantes são menos favorecidos quanto ao acesso regulamentado a residências no que diz respeito à posse.
- Nos aglomerados metropolitanos ocorreu uma consolidação material da informalidade - afirma o documento, descrevendo a falta de escritura característica da maioria das residências construídas nesses lugares.
O estudo, contudo, constatou uma tendência ao crescimento vigoroso dos centros urbanos onde já existe acentuada pobreza. A Cepal prevê que nos próximos 15 anos a população das grandes cidades aumentará cerca de 2% por ano, cifra que chega a 3% na Bolívia, Guatemala, Haiti, Honduras e Paraguai, os países mais pobres da América Latina.