Título: Peru ganha o grau de investimento antes do Brasil
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Fonte: Jornal do Brasil, 03/04/2008, Economia, p. A18
País entrou para o seleto grupo pelas mãos da agência Fitch Ratings
O Peru entrou ontem para o seleto grupo de economias latino-americanas com o status de grau de investimento, selo de bom pagador, do qual o Brasil espera algum dia fazer parte.
Em meio à crise nos mercados globais, a agência Fitch Ratings de classificação de risco atribuiu ao vizinho a nota BBB - a primeira na escala de recomendação de investimento. Até então, o Peru tinha a nota BB+, a mesma do Brasil, considerada especulativa (com risco de inadimplência).
Na região, só México, Chile e Colômbia têm o grau de investimento, avaliação que abre as portas para investidores mais conservadores, como fundos de pensão americanos.
Segundo Shelly Shetty, diretora-sênior de ratings da Fitch, além de uma situação fiscal melhor do que o Brasil, o Peru merece a nota melhor por ter criado um ambiente mais propício aos investimentos, que permitiram um crescimento em ritmo superior a 5% desde o início da década.
¿ O Peru será também menos exposto a uma desaceleração global do que o Brasil, embora ambos os países sentirão os efeitos da crise nos EUA ¿ disse Shetty.
Enquanto o Brasil tem sua dívida em 42% do PIB, o Peru já conseguiu reduzi-la para menos de 28%. Os juros peruanos são de 5,25%. A economia peruana, no entanto, é quase um décimo da brasileira. Com uma população estimada em 28,6 milhões de habitantes, o PIB do Peru chegou a US$ 220 bilhões no ano passado. Já o Brasil, que soma 190 milhões de pessoas, tem hoje uma economia de US$ 1,8 trilhão.
Nicola Tingas, economista-chefe da Febraban e especialista em América do Sul, ressalta o papel do governo peruano em estimular investimentos estrangeiros e criar regulação mais avançada.
¿ O Peru já fez investimentos em infra-estrutura, tem uma política market friendly (favorável ao investidor) e juros baixos há muitos anos. O ponto negativo ainda é a instabilidade política e um Congresso um tanto frágil.
FMI
Já a avaliação do Fundo Monetário Internacional sobre a maior economia do mundo é pessimista. Os EUA passam por sua maior crise financeira desde a Grande Depressão de 1929. A economia global deve crescer 3,7% em 2008, e a possibilidade de esse crescimento ser menor do que 3% em 2009 ou mesmo já em 2008 é de 25%, o que levaria o mundo a uma recessão. Os EUA devem crescer mero 0,5% em 2008, ou um terço do que era previsto em janeiro último.
As previsões do FMI constam de documento apresentado a autoridades econômicas do Sudeste Asiático numa reunião fechada realizada ontem na cidade de Da Nang, no Vietnã, segundo algumas agências de notícias, que o obtiveram.
O FMI disse que não comentaria o vazamento, mas que a divulgação oficial do World Economic Outlook, documento bianual em que o organismo financeiro multilateral faz projeções para a economia mundial, estava mantida para ocorrer só no dia 9.