Título: Edmar assina atos como presidente
Autor: Mariana Santos
Fonte: Jornal do Brasil, 19/01/2005, Brasília, p. D3

Exoneração de funcionários indicados por Vigão causa protestos e acaba sendo revista pelo titular Fábio Barcellos

Atos administrativos assinados pelo deputado José Edmar (PMDB), 2º secretário da Casa, na sexta-feira da semana passada - publicados na segunda-feira última - causaram polêmica e protestos entre os distritais. Edmar firmou os atos como presidente em exercício da Câmara Legislativa do Distrito Federal. No entanto, até então, todos as decisões da presidência vinham sendo assinados pelo vice, deputado Chico Floresta (PT), substituindo o presidente Fábio Barcellos (PFL), em férias. Floresta afirma que não estava na Casa durante à tarde, o que justificaria a atuação de Edmar na presidência. O 1º secretário, deputado Wilson Lima (PMDB), estava no Entorno resolvendo problemas pessoais.

- Como não ajustamos em reunião da Mesa Diretora o procedimento que seria tomado nestes casos, Edmar supriu a vacância - justificou Floresta.

Além de fazer uma dispensa e uma designação, José Edmar fez cinco exonerações e cinco nomeações. Dosfuncionários afastados, três eram indicações do deputado Wigberto Tartuce (PP), hoje licenciado para assumir a Secretaria de Relações Institucionais. O Diário da Câmara Legislativa de anteontem trouxe as exonerações de Colemar de Araújo Porto (encarregado de cerimonial), Túlio Augusto Veloso (assistente da Comissão de Segurança) e Marco Antônio Matos Nery (secretário da Comissão de Segurança), cargos em comissão indicados por Vigberto Tartuce..

O agora secretário acredita que os atos assinados por Edmar foram um espécie de revide, já que o peemedebista, segundo Vigão, atribui a ele ter colaborado com sua prisão, em julho de 2003.

Apesar de não estar mais na Casa, Vigão procurou o presidente Fábio Barcellos na segunda-feira e, ontem, a metade de seus cargos em comissão - são seis ao todo, segundo ele - foram devolvidos. No entanto, os três foram designados para auxílio em comissão, cuja remuneração é bastante inferior às anteriores. Antes das exonerações, os salários dos indicados estava entre R$ 6 mil e R$ 9 mil. Os atuais, em torno de R$ 2 mil.

- Não entendo como ele assumiu espontaneamente a presidência e assinou estes atos - questiona Vigão.

O deputado José Edmar não foi encontrado pelo JB para comentar seus atos na presidência. Porém, membros da própria Mesa Diretora revelam que ainda hoje há dificuldades de acertar a questão dos cargos em comissão dentro da bancada do PMDB, cujo representante na Frente Democrática é Edmar.

Eurides Brito (PMDB), declaradamente desafeta do parlamentar, teria ficado com apenas um cargo em comissão. Gim Argello, Benício Tavares e Leonardo Prudente também reclamam do pequeno número de indicações a que têm direito.