Título: Presidente pede calma à população
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 10/04/2008, Internacional, p. A21
Préval acenou com possíveis subsídios para aumento da produção de arroz e outros produtos
No dia em que os protestos contra aumento no preço dos alimentos completaram uma semana, os capacetes azuis da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), comandada por tropas brasileiras, voltaram a intervir para conter a onda de violência e saques na capital Porto Príncipe. Manifestantes retornaram às ruas e reconstruíram as barricadas destruídas durante a noite. Em meio à escalada do conflito, o presidente, René Préval, procurou aliviar as tensões em pronunciamento que pediu calma à população.
¿ Aos que estão alimentando a violência, ordeno que parem, porque não vai resolver o problema ¿ exigiu o presidente, em cadeia de rádio e televisão.
No aguardado discurso, Préval acenou com possíveis subsídios para o aumento da produção doméstica de arroz e outros produtos.
Escolas fechadas
Momentos antes, colunas negras de fumaça podiam ser vistas de diversos pontos da capital. Manifestantes atearam fogo em pilhas de pneus, exigindo ação do governo para reduzir o preço do arroz, entre outros alimentos. Lojas e escolas foram fechadas.
¿ Vocês ainda não viram nada ¿ ameaçou Jeanti Mathieu, 22 anos, enquanto ajudava a erguer uma barricada de carros destruídos, blocos de concreto e escombros. ¿ Aguardamos que o governo nos diga o que vai fazer. Caso contrário, podem esperar pelo pior.
Setecentos militares brasileiros atuando no bairro de Bel Air formaram um cinturão em torno do palácio presidencial para evitar que manifestantes alcançassem os portões, como no dia anterior. Foram lançadas granadas de gás lacrimogêneo e tiros disparados para o alto. Não há informações sobre vítimas.
Cinco pessoas morreram e cerca de 40 ficaram feridas desde o início do conflito, há uma semana.