Título: Missão humanitária chega ao país
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Fonte: Jornal do Brasil, 04/04/2008, Internacional, p. A20
Chanceler¿ das Farc nega liberações e compara situação de Ingrid a de membros extraditados
A missão humanitária liderada pela França para libertar a franco-colombiana Ingrid Betancourt, há mais de seis anos refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), chegou ontem ao país. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, afirmou ter recebido informações da missão sobre a localização da ex-candidata à Presidência, mas os guerrilheiros descartaram liberação de quaisquer reféns.
¿ Somente por meio de uma troca de prisioneiros serão libertados aqueles mantidos em cativeiro em nossos acampamentos ¿ retrucou Rodrigo Granda, conhecido como o "chanceler das Farc", à Agencia Bolivariana de Imprensa, que costuma divulgar comunicados da guerrilha. ¿ Não é admissível que nos peçam mais gestos de paz, depois de tantas demonstrações da nossa vontade política em encontrar saídas para o conflito, se nos respondem com infâmias e preconceitos.
No primeiro pronunciamento de um chefe das Farc desde o anúncio do envio da missão médica, Granda comparou o estado de saúde Ingrid e dos outros seqüestrados com os de guerrilheiros presos no exterior.
¿ Nada de pose de inocente, porque todos que são nossos prisioneiros são responsáveis pelo acirramento da guerra ¿ cravou Granda. ¿ De Ingrid em diante, nenhum deles estão em piores condições do que Simón Trinidad ou Sonia, ou dos altos membros das Farc extraditados e condenados em cortes dos EUA.
Emissários
"Sonia" é o nome de guerra Anayibe Rojas, e "Simón Trinidad", de Ricardo Palmera. Os dois são sempre citados nas listas de trocas das Farc por reféns.
Além de um médico, a missão inclui dois diplomatas, entre eles, o ex-cônsul francês em Bogotá, Noel Saez, e o assessor do governo suíço, Jean-Pierre Gontard, que há alguns anos foram os principais emissários europeus nos contatos com a guerrilha pela libertação dos reféns.
Depois de uma escala na ilha francesa da Martinica, o avião, um Falcon 50, com a equipe aterrissou na madrugada de ontem na base militar de Catam, na capital Bogotá. O objetivo oficial da missão é tentar contatar as Farc e conseguir acesso à refém franco-colombiana para oferecer cuidados médicos.
A missão conta com o apoio de Espanha e Suíça, que formam com a França o grupo de países "facilitadores" que há anos tenta mediar a troca humanitária entre os reféns políticos das Farc e guerrilheiros presos.
O presidente colombiano, Alvaro Uribe, afirmou que suspenderá as operações militares na área em que a equipe médica atenderia Betancourt. Mas não se sabe ainda se o governo francês conseguiu entrar em contato com a guerrilha e convenceu o grupo armado a permitir a missão.
Caso obtenha sucesso, essa seria a primeira missão a manter contato direto com Ingrid em anos. A ex-senadora, que também tem nacionalidade francesa, é o refém mais importante dentre os vários mantidos pela guerrilha.
O grupo armado mais antigo da América Latina, as Farc vêm perdendo força em virtude das operações militares lançadas por Uribe com o apoio dos EUA.
Refúgio
Palco de um conflito interno iniciado 40 anos, o nível de violência na Colômbia diminuiu na medida que os guerrilheiros têm buscado refúgio em áreas mais afastadas.
Mas os esforços para atingir um amplo acordo que garanta a libertação de 40 reféns importantes em troca de combatentes rebeldes presos encontram-se paralisados. As Farc exigem que que Uribe retire os militares de uma grande área, facilitando as negociações.