Título: Pior ainda está por vir, alerta BID
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Fonte: Jornal do Brasil, 08/04/2008, Economia, p. A17

América Latina tem suportado bem a turbulência, mas petróleo e commodities preocupam

EFE Miami

A América Latina reagiu muito melhor do que o esperado à turbulência financeira internacional, mas é provável que o Pior esteja por vir, tendo em vista o aumento dos preços do petróleo e de produtos básicos de consumo, o que foi evidenciado durante a 49ª Assembléia Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A região deverá ter um sólido crescimento econômico entre 4% e 4,5% em 2008. Segundo relatório do BID, o resultado será inferior ao do ano passado por causa da desaceleração dos EUA e da possível queda nos preços das matérias-primas.

Tanto o secretário do Tesouro dos Estados Unidos (EUA), Henry Paulson, como o presidente do BID, o colombiano Luis Alberto Moreno, destacaram como a região reagiu de uma maneira positiva e como os países estão mais preparados que há alguns anos para enfrentar a crise.

Moreno reconheceu que há incerteza sobre o que acontecerá com uma desaceleração dos EUA e apontou que a região mal experimentou a zona de turbulência.

- É lógico que uma desaceleração dos EUA afeta fortemente os países que estão mais integrados com a economia americana e que recebem grandes fluxos de remessas desse país ¿ observou Moreno na abertura do evento. - Ao viver tempos de incerteza devemos ser conscientes de que os riscos poderiam aumentar nos meses que estão por vir.

Moreno recomendou reforçar as políticas fiscais que, em sua opinião, foram insuficientes porque boa parte dos incrementos das receitas foi destinado a despesas correntes:

- Em uma conjuntura de desaceleração, os déficits poderiam voltar a aflorar e os governos veriam reduzidas as opções de política.

No entanto, destacou que a região está melhor preparada para enfrentar a desaceleração dos EUA.

- Ninguém sabe com certeza que conseqüências trará esta conjuntura, mas estamos preparados mais do que nunca para enfrentá-la ¿ assegurou.

Reservas em alta

Moreno mencionou as reservas internacionais que passam de US$ 450 bilhões e, o aumento do fluxo de investimento estrangeiro que somou US$ 95 bilhões em 2007.

Paulson, por sua vez, afirmou que os EUA atravessam "uma correção difícil no mercado imobiliário que afeta os mercados de capital e que por isso foram adotadas medidas agressivas para reduzir o impacto negativo".

Sobre a América Latina e o Caribe, ressaltou que a região reagiu à turbulência muito melhor do que o esperado e apontou que a melhor receita para sair da atual etapa de incerteza é o livre-comércio.

Neste sentido, fez uma vigorosa defesa da necessidade de o Congresso dos EUA aprovar `sem maior atraso¿ o Tratado de Livre-Comércio (TLC) porque reforçará a democracia na América Latina "ao se apoiar um aliado-chave, um aliado que alcançou registros significativos na luta contra a violência e a instabilidade".

O ministro guatemalteco de Finanças Públicas, Juan Alberto Fuentes, alertou sobre o risco de aumento dos já elevados níveis de desigualdade pelo forte reajuste dos preços do petróleo e de produtos básicos como o milho, arroz, trigo e leite.

Ao ceder a Paulson a presidência da Assembléia de Governadores do BID, Fuentes disse que o aumento dos produtos de primeira necessidade pode causar um problema grave de desnutrição nos países latinos menos desenvolvidos.

Citou que o preço do milho atingiu o nível mais alto da história e que isso representa um risco tanto para o crescimento como para reduzir níveis de desigualdade.