Título: EUA ameaçam êxito do acordo
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 16/02/2005, Internacional, p. A7

Apesar de conhecer as conseqüências globais da não-aderência ao Protocolo de Kyoto, em 2001 o presidente dos EUA, George Bush, retirou do documento a assinatura de seu antecessor, Bill Clinton. Bush alegou que para os EUA, o maior poluidor do mundo, o pacto seria custoso demais e errava ao não exigir o cumprimento de metas pelos países em desenvolvimento. O movimento de retrocesso foi seguido pela Austrália.

- Mesmo que o documento fique em vigor para sempre, teria quase nenhum efeito mensurável no clima - faz eco o dinamarquês Bjorn Lomborg, autor do livro The Skeptical Environmentalist (O ecologista cético).

A aplicação do Kyoto custará anualmente cerca de US$ 150 bilhões e, segundo Lomborg, o dinheiro seria mais bem gasto ''no combate à Aids ou na promoção do livre comércio''.

Mesmo de acordo com as projeções da ONU, se for implementado conforme o previsto, o protocolo será responsável por baixar a temperatura da Terra em apenas 0,1 grau Celsius até 2100. Até lá, projeta-se uma elevação na temperatura global de algo entre 1,4 e 5,8 graus Celsius.

E a maioria dos especialistas concorda agora que a luta contra as mudanças climáticas dependerá das futuras políticas de emissão de dióxido de carbono adotadas pelos americanos.

- Kyoto não funcionará a não ser que os EUA se incluam a partir de 2012 - diz Bo Kjellen, pesquisador do britânico Tyndall Centre.

Segundo ele, países em desenvolvimento como China e Índia teriam pouco incentivo em aderir ao compromisso se Washington estiver dispensado. Ambas as nações ratificaram o tratado, mas não se comprometem a reduzir emissões de gases mesmo que, juntas, atualmente já correspondam a 14% da produção mundial.