Título: MST invade mineradora para recordar massacre
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Fonte: Jornal do Brasil, 18/04/2008, País, p. A2
Integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) invadiram, ontem, por 15 minutos, a sede administrativa da Vale, localizada em Belém, e interditaram a Estrada de Ferro Carajás (EFC), pertencente à empresa, fazendo o maquinista de refém, segundo informou a mineradora. A ocupação acontece no aniversário de 12 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, que resultou na morte de 19 sem-terra.
As manifestações, denominadas pelo MST de "Abril Vermelho", foram realizadas também no Distrito Federal e em mais 11 Estados: Santa Catarina, São Paulo, Roraima, Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Sul, Ceará, Sergipe, Paraná, Paraíba, Pará.
Entre as ações do MST realizadas ontem estão a invasão de sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e de agências do Banco do Brasil. Foram invadidas as sedes do Incra localizadas em Imperatriz (MA), Chapecó (SC), Petrolina (PE) e uma regional de Brasília (DF). Já as agências do BB ocupadas são de Sorocaba e Andradina -ambas no interior de São Paulo.
De manhã, integrantes do Movimento dos Trabalhadores em Mineração (MTM) ocuparam a Estrada de Ferro Carajás (EFC), que pertence a Vale. A mineradora informou que a invasão havia sido promovida pelo MST, que negou a autoria da ação.
Omissão
A mineradora criticou o MST por invadir novamente a EFC. "A Vale não vai se calar diante das ameaças do MST ou da falta de responsabilidade de governantes, em especial no Estado do Pará, que se omitem diante de um crime há muito anunciado e que, por incompetência ou por conivência, estão assistindo a esta maré de crimes que nos últimos dias vem aterrorizando o Brasil"", diz a empresa em nota.
A assessoria do governo do Pará não foi localizada para comentar o tema. A governadora Ana Júlia (PT) estava na cerimônia de lançamento de um programa.
A Vale informa que está indignada com a "insuficiência de ação das autoridades competentes que foram, há muito tempo e amplamente, avisadas que esta invasão iria acontecer"". "É inadmissível que os governantes não tenham tomado a tempo as providências necessárias para evitar que, mais uma vez, o MST e seus cúmplices afrontassem o Estado de Direito e não cumprissem as determinações judiciais de não promover invasões.""
Para a Vale, "esse clima de desrespeito ao Estado de Direito cria um péssimo ambiente para a atração de investimentos para o nosso país, em especial para o Pará, região que apresenta um dos maiores potenciais de crescimento e geração de renda e emprego"". (Folhapress)