Título: Evento discute fontes alternativas
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Fonte: Jornal do Brasil, 16/02/2005, Internacional, p. A9
Além do Protocolo de Kyoto, pode-se fazer mais para reduzir as emissões de dióxido de carbono: pôr em prática fontes alternativas de energias.
- O Protocolo é um avanço mas não é o suficiente - afirma o cientista Stephan Krauter organizador do Rio 5: Congresso Internacional de Clima e Energia, que está sendo realizado desde ontem e vai até amanhã, no Hotel Glória, Rio de Janeiro.
Segundo Krauter, especialista alemão em energia solar e professor da Universidade Estadual do Ceará e da Universidade Tecnológica de Berlim, o Brasil tem um capacidade enorme de produzir energias alternativas que é muito pouco aproveitada.
- Só a região Nordeste tem um potencial de energia eólica de 75 GW, o que corresponde a produção total de energia do Brasil atualmente - ressalta.
No encontro - do qual participam especialistas de cerca de 20 países, como Índia, Austrália, Alemanha e Brasil - está sendo discutida a substituição global de combustíveis fósseis e não-renováveis, como o petróleo, por fontes renováveis como energia solar, eólica e biomassa. O petróleo, além de ser poluente e contribuir para o aquecimento global, deve acabar em 30 ou 50 anos.
De acordo com Martin Green, especialista em pesquisa de energia fotovoltaica (energia solar transformada em energia elétrica), a tendência mundial é uma mudança da matriz energética.
- A energia eólica até 2007 será 1% de toda energia do mundo, em 2020 será 10% e em 2032 chegará a 20% - projeta o cientista.
Comparado a Alemanha, o Brasil tem condições mais favoráveis à aplicação desse tipo de energia, recebendo o dobro de radiação solar. Na Alemanha, no inverno - estação que tem menos Sol -, é possível, no máximo, a produzir 0,8 Kwh. A capacidade do Brasil em um período equivalente seria de 3,6 a 4 Kwh.
Em relação à energia eólica, 40% dos ventos daqui têm a potência máxima para gerar energia, enquanto na Alemanha apenas 20% dos ventos.
Junto com o Congresso, está sendo realizada a Feira Tecnológica Latino Americana de Energias Renováveis (LAREF 2005), onde são apresentados produtos e novas tecnologias. Uma delas é a utilização de gordura de vacas, bois e porcos para produzir energia elétrica, com a mesma potência do diesel.