Título: Ritmo das importações acelera
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 18/04/2008, Economia, p. A20

Em 2007, crescimento de exportações foi o menor entre todos os Brics, com US$ 161 bilhões

O comércio exterior brasileiro cresceu mais nos dois primeiros meses de 2008 que o das maiores economias do mundo, graças ao aumento da demanda interna e das altas nos preços das matérias-primas. O crescimento das importações foi particularmente alto, de 56% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas a crise do crédito e o aumento nos preços das matérias-primas influenciaram o desempenho do comércio mundial, que não deverá crescer mais que 4,5% em 2008, a menor taxa desde 2002. A previsão é de um estudo divulgado ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC) que antecipou que a taxa poderá ser "significativamente menor" se as turbulências do mercado financeiro se agravarem.

As exportações brasileiras cresceram menos no bimestre, mas o aumento de 24% ainda é maior do que o registrado por gigantes como Estados Unidos (20%), China (17%), Alemanha (23%) e Japão (22%). O baixo número da China tem motivos sazonais, explicaram os economistas da OMC, pois registra a virada do ano, quando a atividade econômica diminui no país.

Em 2007, as exportações do Brasil cresceram 17%, com volume de US$ 161 bilhões, o que fez o país subir uma posição no ranking mundial, para o 23º lugar, mas o colocou na lanterna entre os chamados Brics (principais economias emergentes). As exportações da China cresceram 26% em 2007, as da Índia, 20%. O Brasil empatou com a Rússia.

O desempenho brasileiro nas exportações também foi um pouco pior que a média dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), que chegou a 18%.

A fatia ocupada pelos produtos brasileiros no mercado mundial não passa de 1,2%, inferior a de países bem menores, como Holanda (4%), Bélgica (3,1%) e Coréia do Sul (2,7%). Para Michael Finger, economista da OMC, o lento crescimento da participação brasileira no comércio mundial tem razões históricas, principalmente a concentração no setor de matéria-prima.

¿ Para ampliar a sua fatia, o país teria que investir mais em produtos manufaturados, como fez a Coréia ¿ diz Finger.

Aquecimento interno

Os números da OMC confirmam o aquecimento da demanda interna do Brasil nos últimos meses, que alavancou o crescimento e protegeu o país das turbulências mundiais, mas também despertou os temores inflacionários que levaram o Banco Central a elevar os juros em 0,5 ponto ontem.

Os dois primeiros meses deste ano prosseguem a tendência observada em 2007, quando as importações brasileiras tiveram crescimento de 32% em relação a 2006. Foi o maior aumento entre os países listados no estudo da OMC, com exceção da Rússia, cujas importações aumentaram 35%. No ranking das importações, o Brasil ocupa o 27º lugar.

Os países desenvolvidos investem no aumento da demanda interna nos países em desenvolvimento, principalmente China, para compensar a desaceleração em suas economias. Em 2007, a queda no consumo no mundo desenvolvido reduziu o crescimento econômico mundial de 3,7% para 3,4%. No mesmo período, as regiões emergentes registraram crescimento perto de 7%.