Título: Tempo de contribuição e expectativa de vida
Autor: Exman, Fernando; Correia, Karla
Fonte: Jornal do Brasil, 23/04/2008, País, p. A4

BRASÍLIA

Oposição de hoje votou o fator previdenciário em 2000. E por isso está dividida

O fator previdenciário entrou em vigor em 2000. O mecanismo leva em conta o tempo de contribuição, a idade da pessoa quando se aposenta e a expectativa de vida da população. Tem a finalidade de incentivar os trabalhadores a permanecer mais tempo no mercado de trabalho, sob a pena de redução dos valores de suas aposentadorias. No ano passado, a economia gerada pelo instrumento foi de R$ 3,4 bilhões. No total, a redução de gastos foi de R$ 10,1 bilhões desde 2000. ­ É um impacto elevado. Se já se tem um déficit grande e há uma despesa adicional, obviamente é ruim ­ comentou o especialista em contas públicas Raul Velloso, para quem o aumento dos gastos públicos pode prejudicar a economia do país. Isso dificulta o combate à inflação e pode gerar um aumento da carga tributária, o que pode ajudar a desacelerar a economia. Se aprovadas pela Câmara, as propostas terão ainda de ser sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como neste ano há eleições municipais, Legislativo e Executivo não querem tomar atitudes impopulares. O desconforto do governo é maior ainda porque as propostas são de autoria de dois senadores do partido do presidente, Tião Viana (PT-AC) e Paulo Paim (PT-RS). A oposição também está em situação delicada, pois PSDB e DEM formavam o governo que criou o fator previdenciário. O governo se esforça para reduzir o potencial estrago. A tarefa, no entanto, será árdua. A bancada da saúde é grande na Câmara, e os deputados ligados aos sindicatos contam com parte da oposição para aumentar o valor das aposentadorias. Há um consenso, entretanto, que o fator previdenciário só poderá ser extinto se for estabelecida uma idade mínima para a aposentadoria. ­ Vamos tentar apressar essas votações. Queremos a criação de uma comissão especial para a apreciação desses projetos. Assim, eles não precisarão passar pelas comissões temáticas ­ disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. ­ Se a gente colocar os aposentados na rua para pressionar, o governo não segura.