Título: Evo leva adiante reforma agrária para indígenas
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/04/2008, Internacional, p. A23
Oposição vê redistribuição de terras no Chaco como jogada política Cecilia Minner O processo de redistribuição de terras, implementado pelo presidente Evo Morales, na região do Gran Chaco, na Bolívia, trouxe à tona uma antiga questão social: o regime de servidão em que vivem milhares de indígenas guaranis nas propriedades rurais. Morales diz que seu objetivo com o assentamento das terras é pôr fim ao drama dos guaranis, que em sua maioria vivem presos no interior das grandes fazendas na região do Chaco, composta pelos Estados de Santa Cruz, Tarija e Chuquisaca. Segundo a Associação Nacional dos Servidores da Agricultura, o governo boliviano pretende distribuir 54.800 mil hectares de terras a aproximadamente 2.700 mil famílias indígenas. Com isso, os índios se tornarão independentes e auto-suficientes, uma vez que poderão sobreviver do próprio cultivo. Wilson Cahngaray, chefe da assembléia do povo guarani, em Tarija, denuncia que os proprietários rurais "impõem sua lei" para obrigar os índios a trabalhar sob um sistema de "contratos verbais de relação trabalhista". Afirmou que a jornada de trabalho da família indígena é de 10 a 12 horas em troca de um salário diferenciado para homens, mulheres e crianças, que varia de 5 a 12 bolivianos por dia, o equivalente a R$ 1,12 e R$ 2,68. O líder indígena revelou ainda que os trabalhadores recebem apenas moradia e comida. Roupas usadas são "entregues" a preços altos, o que os obriga a comprarem a crédito. Com isso, é gerado um endividamento progressivo e o trabalhador precisa continuar na fazenda para pagar a dívida. Meios de violência também são usadas para mantê-los cativos. Muitos são enganados e manipulados pelos latifundiários para irem contra a reforma de Morales. Aqueles que resistem são punidos e ameaçados de morte pelos fazendeiros disse o cientista político Aldo Durangil, da Universidade Federal de Uberlândia. Os governos dos Estados do Chaco, região rica em hidrocarbonetos, acusaram Morales de ter a intenção de entregar as terras aos indígenas para assegurar o controle sobre as jazidas de hidrocarbonetos e enfraquecer os projetos de autonomias departamentais, reivindicados por Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Cochabamba. Para Fernando Nuñez, decano da Faculdade de Ciências Sociais, de Santa Cruz de La Sierra, o interesse de Morales é meramente político. É um pretexto para evitar o referendo do estatuto autônomo, em 4 de maio, em Santa Cruz. O governo quer cercear os três Estados produtores de hidrocarbonetos, região onde está a maior reserva de gás e petróleo do país explica Nuñez. É fato que os povos nativos foram marginalizados, mas apenas nas regiões dos Andes e do Altiplano e não no Chaco, visto que lá alguns grupos indígenas são donos de terra. Ontem, a OEA advertiu que a crise política pelo referendo de autonomia abre "possibilidade" de violência na Bolívia. Reuters COMBATE Morador do Chaco mostra o armamento confiscado dos membros da Assembléia dos Guaranis viagem sem a passagem. Blair, 54 anos, é o enviado para o Oriente Médio do quarteto diplomático (União Européia, Rússia, Estados Unidos e ONU) que busca negociações de paz principalmente entre israelenses e palestinos. Ele também ocupa um posto de conselheiro bem remunerado no banco americano JP Morgan e assessora a empresa suíça Zurich Financial Services em vários temas, como a mudança climática.
Alba se une em torno de Morales e cria acordo de alimentos Os líderes da Alternativa Bo- livariana para as Américas (Alba), Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Cuba, firmaram ontem acordo para enfrentar a crise de alimentos que atribuíram a políticas capitalistas e à situação na Bolívia, cujo presidente recebeu solidariedade em uma reunião convocada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez. A cúpula extraordinária, em Caracas, foi marcada de forma inesperada, em menos de 24 horas, porque, segundo Chávez, a Bolívia está "a ponto de explodir". No documento que trata da crise dos alimentos, "as partes firmaram um acordo para implementar programas integrais de desenvolvimento agroindustrial em cereais, principalmente arroz e milho, leguminosas, feijão, oleaginosas, carnes, leite e água para a irrigação de plantações". Além disso, para executar esses programas, comprometeram-se a "criar um fundo com um capital inicial de US$ 100 milhões", que o chefe de Estado venezuelano pediu que seja voltado principalmente à Bolívia. Os EUA investem US$ 500 bilhões por ano para fazer guerras. Uma ínfima parte do valor permitiria acabar com a fome no Haiti, onde as crianças começaram a comer biscoito de lama criticou Chávez. Após a assinatura do acordo sobre alimentos, os quatro dirigentes da Alba emitiram uma declaração de "solidariedade" ao processo liderado por Morales na Bolívia e expressaram "firme rejeição" ao que chamaram de "planos de desestabilização". Afirmam que não reconhecerão qualquer ação "que ameace a integridade territorial da Bolívia" alusão ao referendo de autonomia convocado em 4 de maio na região boliviana de Santa Cruz e que rejeitam planos separatistas. Chávez chegou a advertir que, em caso de desestabilização da Bolívia, o gás produzido pelo país poderia ser retido. O Brasil entraria em crise e o mesmo poderia ocorrer com a Argentina.