Título: Aliados tentam fazer chantagem
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 16/04/2008, País, p. A5

Uma "rebelião" na base gover- nernista associada à decisão de esvaziar a nova CPI dos Cartões Corporativos do Senado obrigou integrantes da comissão mista (com deputados e senadores) a atenderem o pedido da oposição para liberar o acesso aos gastos sigilosos da Presidência da República. A reportagem apurou que deputados do PSC ­ partido vinculado ao PMDB ­ comandaram a "rebelião" para mostrar ao governo que têm força. O objetivo é barganhar cargos e pedidos ao Executivo em negociações futuras. Uma das pendências que teria gerado a reação é a indicação de uma diretoria de Furnas que interessa especialmente a um grupo de Minas Gerais. Além da barganha com o Executivo, deputados aliados temiam o desgaste em relação à opinião pública se a CPI encerrasse os trabalhos em conseqüência da "blindagem" governista. Veladamente, houve apoio de alguns integrantes do PMDB a esta ação, uma vez que a presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), havia prometido encerrar as atividades da CPI se os requerimentos fossem rejeitados em bloco, como defendiam os petistas. Os peemedebistas ficaram irritados com as determinações do comando do PT para que derrotassem de uma só vez todos os requerimentos relacionados ao Palácio do Planalto ­ sem terem autonomia de selecionarem matérias para serem aprovadas. Os governistas acabaram cedendo à pressão do PMDB porque avaliam que, se a CPI mista avançar, a nova comissão do Senado não terá forças para aprofundar as apurações. Oficialmente, os "rebeldes" negam que tenham como objetivo a barganha de cargos. Mas admitem que ficaram insatisfeitos com a condução dos governistas nas negociações. ­ Eu disse que não ia votar tratorando os requerimentos. Porque aí enterraríamos a CPI. Queremos preservar os dados sigilosos. O governo não tem o interesse de tratorar. A CPI não serve só para ferir de morte o presidente da República, mas queremos saber como funcionam os cartões corporativos ­ argumentou o deputado Carlos Willian (PTC-MG). Manobra Na opinião do deputado, os governistas deram um "golpe de mestre" porque conseguiram enfraquecer a CPI do Senado ­ uma vez que a justificativa para a sua criação era o enfraquecimento da comissão mista. A oposição, no entanto, deixou claro que o acordo com os governistas não prevê que a CPI do Senado não seja instalada. ­ O governo acha que, com essa ação de liberar os dados sigilosos, vai restringir o campo de ação da oposição. Mas o meu sentimento é o inverso, são coisas distintas ­ afirmou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). O acordo prevê que aa CPI tenha acesso às auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas da União nos gastos do governo federal com os cartões, inclusive os sigilosos. Os deputados e senadores serão autorizados a irem ao TCU analisar os documentos, desde que os mantenham em sigilo, como determina a lei. (Folhapress)

Senado chama ministra Dilma mais uma vez. Governo reage BRASÍLIA A oposição aproveitou, ontem, novo "cochilo'' da base governista e aprovou outro requerimento de convocação da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado para que ela explique o dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. A manobra da oposição, porém, fez o governo reagir para evitar que Dilma venha a prestar qualquer depoimento na comissão. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), apresentará dois requerimentos à comissão para anular o pedido aprovado ontem e transformar a convocação aprovada há duas semanas em convite. Se os dois requerimentos passarem pela comissão, a ministra não será mais obrigada a comparecer ao Senado. Dilma já havia marcado para o dia 30 o seu depoimento à comissão para falar exclusivamente sobre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). (Folhapress) Carlos William deputado (PTC-MG)