Título: Rio tem o pior desempenho industrial
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 16/02/2005, Economia, p. A19
Petróleo derruba resultado de 2004. Setor de transformação também fica abaixo das demais regiões
A atividade industrial do Rio de Janeiro amargou o último lugar em expansão no país em 2004. No período, a produção expandiu-se apenas 2,4% no estado, enquanto a média nacional atingiu 8,3%, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 14 regiões. O segmento extrativo, que inclui a atividade de extração de petróleo, em queda de 3,6%, foi o principal responsável pelo baixo desempenho, no ano em que a Petrobras anunciou, pela primeira vez em dez anos, queda na produção. Mas até o resultado separado da indústria de transformação - alta de 3,8% - ficou aquém de Pernambuco, que obteve o penúltimo lugar, com 4,8%.
O resultado negativo do setor extrativo é agravado pelo peso que representa na pesquisa do IBGE, de 30%.
- No Rio, diferentemente de outras regiões estudadas, a pesquisa não capta as atividades que lideraram o crescimento em outras regiões, que são os bens de consumo duráveis e os bens de capital, com representatividade insignificante no estado - explica o economista do IBGE André Macedo.
Segundo o IBGE, o crescimento dos estados que tiveram desempenho industrial acima da média pode ser atribuído, ainda, ao dinamismo de suas exportações e do agronegócio.
Para o professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Mauro Osório, a lanterna na produção nacional decorre de falta de política industrial regional.
- Essa ausência resulta de uma crise de longo curso, desde que o Rio perdeu a capital. A recuperação que existe hoje é pontual, localizada em alguns setores. De forma geral, nossa indústria não se modernizou.
Para o diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio de Almeida, o Rio perdeu a capacidade de atrair investimentos.
- A capital fluminense sofreu um esvaziamento, assim como a da capital paulistana, mas o interior paulista se mostrou mais ágil na oferta de incentivos - analisa.
No entanto, de acordo com a economista da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), Luciana Sá, o estado está retomando um processo de crescimento mais vigoroso. Ela se baseia nos dados do fim do ano. O avanço de dezembro em relação a igual mês de 2003 no Rio foi de 4,6% (ante 8,3% no país).
- O processo de crescimento ainda está se alastrando pela economia, mas é certo que atingirá o setor de bens intermediários, com concentração elevada no Rio. Nosso ICMS, um ponto percentual acima da média nacional, é fator que atrapalha o desenvolvimento, mas as autoridades estão atentas ao problema - comenta.
Na esteira do crescimento do segmento de bens duráveis, o Rio produziu pelo menos uma boa notícia ontem. A fábrica de caminhões da Volkswagen em Resende anunciou a contratação de mais 245 funcionários para seu segundo turno, aumentando em 13,3% a produção de veículos, para 170 ao dia. O setor de veículos automotores, um dos mais vigorosos da indústria fluminense, avançou 23% em 2004 mas sua influência foi atenuada pela pequena representação (apenas 6%) na indústria do Rio, na pesquisa do IBGE.