Título: Modelo indigenista é apartheid índio
Autor: Correia , Karla
Fonte: Jornal do Brasil, 27/04/2008, País, p. A6

Quais são as críticas que os militares, de uma forma geral, fazem à política indigenista conduzida pelo governo?

Há, por exemplo, uma rejeição ao conceito de reserva indígena adotado. Não agrada a ninguém a idéia de pureza étnica dos nazistas, o apartheid sul-africano, mas esses são modelos muito semelhantes ao que a política indigenista tem criado no Brasil: um apartheid índio. Essa política indigenista caótica tende a desagregar o país. Se for seguido o raciocínio dos etnicistas, o Brasil seria dividido em uma nação indígena, uma nação quilombola, uma nação dos italianos em São Paulo, outra de alemães em Santa Catarina.

Fala-se também o problema da homologação contínua.

Há muitos anos que se alerta os governos sobre o perigo de grandes faixas de terra para uma pequena minoria que não consegue ocupar aquilo de forma alguma. Imagine um território como o da área ianomâmi, mais ou menos do tamanho de Santa Catarina, com uma população que cabe em uma superquadra de Brasília. A Funai alega ter 10 mil índios na reserva, mas conta errado, nome por nome. E cada índio possui três nomes, um de criança, um de adulto e um de cristão. Quando a FAB foi catalogar os índios para vacinação, só encontrou 3.500.

De que forma, como afirmou o general Augusto Heleno, as reservas indígenas constituiriam uma ameaça à integridade nacional?

Primeiro, à medida que quem encabeça a política indigenista no País faz da delimitação de reservas a criação de nações separadas do Brasil. Esses grupos já conseguiram transformar em reservas quase todas aquelas serras extremamente mineralizadas que fazem a fronteira do Brasil com os países ao norte. Conseguiram faze-lo na surdina, sem que o país percebesse o que aconteceu.

Como isso foi possível?

A Funai usa de muita falsidade. O laudo da Raposa é de uma falsidade absoluta. Esse relatório do grupo técnico criado pela portaria da Funai embasou todas as decisões do governo na delimitação da reserva e teria sido feito por um grupo de técnicos. Alguns dele, contudo, nem sabiam que faziam parte desse trabalho, que foi assinado apenas por uma antropóloga da Funai. Os outros membros declaram que não sabiam, que nunca nem foram a Roraima. Um deles é motorista. Outro é analfabeto. Muitos deles foram indicados pelo Conselho Indígena de Roraima, o CIR, que era quem mais fazia pressão pela homologação das terras de forma contínua, que tenderá a se separar do Brasil. E não seria somente ela, mas toda uma faixa de fronteira onde ficam as serras mineralizadas.

Trata-se, então, de um problema centralizado na exploração das reservas minerais?

Não somente isso. Nada mais fácil para tomar do que uma declaração de independência das áreas indígenas, um fato que tem seu caminho pavimentado pela ONU, com a declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. Essa declaração dá a esses povos o direito a escolher a nacionalidade a que querem pertencer, inclusive uma própria. O Brasil é signatário dessa declaração. E se ela for aprovada no nosso Congresso, passa a ter força de Constituição. Isso significa que o Brasil não terá argumento jurídicos para se opor a uma declaração de independência, nessas condições.

O senhor teme a possibilidade de separatismo nessas áreas?

Sim e temo também as conseqüências desse cenário. Eu tenho, desde o tempo da Abin, me esforçado para evitar conflitos que poderão degenerar em uma guerra civil, não como o conflito de Canudos, mas uma guerra generalizada no momento em que ficar claro para a população que o processo conduzido pela Funai levará fatalmente a perdas territoriais. Desde a criação da reserva Ianomâmi existe esse sentimento entre os militares.

Como isso repercute dentro das Forças Armadas?

Estou na reserva e não posso dizer exatamente o que se pensa nos quartéis, mas a minha sensação é que o nosso juramento de defesa da pátria está acima de quaisquer outras circunstâncias. Observe que o Exército aceitou apenas com resmungos o aviltamento dos soldos e o sucateamento do material. Mas quando se trata da defesa da pátria, a reação não se limita a resmungos. A minha perspectiva é que se fosse entregue essa área seriam certos os motins e rebeliões nos quartéis.