Título: Alimentos e biocombustíveis voltam à pauta
Autor: Exman, Fernando
Fonte: Jornal do Brasil, 14/04/2008, Economia, p. A17

Além de aumentar a pobreza mundial, a alta da cotação dos alimentos pode gerar instabilidades políticas em diversos países. O alerta foi feito ontem na entrevista coletiva de encerramento da reunião anual de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird).

¿ Tudo o que foi feito até agora pode ser destruído rapidamente com o aumento dos preços da comida ¿ lamentou o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, complementando que a instituição terá de se adaptar para enfrentar esse problema. ¿ Estamos encarando um enorme problema.

No Haiti, o primeiro-ministro Jacques Edouard Aléxis foi destituído pelo Parlamento devido a problemas de oferta de comida. Senadores da oposição alegaram que o governo não conseguiu aumentar de forma suficiente a produção de comida do país caribenho.

Etanol

O efeito dos biocombustíveis sobre a produção de alimentos também voltou a ser discutido. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, voltou a dizer que o etanol brasileiro é mais eficiente. Strauss-Kahn concordou que há diferenças entre o álcool produzido a partir de produtos alimentícios e o etanol feito de outras matérias-primas. Ponderou, entretanto, que o assunto deve ser melhor trabalhado nos próximos meses.

Em discurso proferido ao Comitê de Desenvolvimento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu ontem de manhã o etanol. O álcool é uma das principais bandeiras do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

¿ Os biocombustíveis produzidos a partir da cana-de-açúcar provaram ser tecnologias promissoras em diversos países em desenvolvimento. Eles devem ser apoiados como fontes estratégicas de energia limpa, as quais podem gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Mantega também tentou reduzir a responsabilidade dos países em desenvolvimento pelo aquecimento global. Argumentou que as florestas são vítimas, e não culpadas, pelas mudanças climáticas. Voltou a pedir mais apoio para as economias emergentes, e cobrou respeito à soberania dos países nas discussões sobre controles da exploração de recursos naturais e combate à corrupção. (F.E.)