Título: Insegurança e falta de fiscalização atraem crime
Autor: Arêas, Camila
Fonte: Jornal do Brasil, 14/04/2008, Internacional, p. A21

Enquanto o vendedor de DVD pirata Alido Pintos joga video game sob a narração de Galvão Bueno, um jovem curitibano de 23 anos ¿ que também não quis se identificar ¿ conta que foi a Ciudad del Este para negociar o "roubo" de seu carro:

¿ Basta atravessar o veículo pela fronteira para dar o carro como roubado para a seguradora.

Dos 600 mil veículos que circulam no Paraguai, 200 mil são ilegais, segundo a ONG Socorro. Ao cruzar a Ponte da Amizade, barateiam. Depois de receber placas paraguaias, um Gol ano 98, por exemplo, é vendido por R$ 3 mil nas ruas de Ciudad del Este. Mesmo clandestinos, 30% dos carros roubados receberam entre 2000 e 2005 o registro do governo. Agora, um novo projeto de lei que já tramita no Senado do Paraguai estende a legalização de uma nova leva de veículos sem identificação até 2009.

Vendedor de sapatos desde 1973, Vidala Ariarde conta que cresce uma nova modalidade de crime: o seqüestro de comerciantes estrangeiros. São principalmente turcos, libaneses e japoneses, que migraram a Ciudad del Este e fizeram fortuna.

¿ Os colombianos estão montando esta escola do seqüestro. Vêm para cá treinar os paraguaios no crime. Isso traz a Interpol para cá.

O sociólogo José Luis Simón recorre ao que chama de poder "cleptonarcotráfico" para explicar a situação de "um Estado falido":

¿ A polícia e as Forças Armadas paraguaias não existem. São todos aliados do narcotráfico.