Título: BC vê possibilidade de aumento de combustíveis
Autor: Scrivano, Roberta ; Monteiro, Ricardo Re
Fonte: Jornal do Brasil, 25/04/2008, Economia, p. A17

O Banco Central continua prevendo que o preço da gasolina deve ficar inalterado em 2008, mas diz que aumentou a possibilidade que haja um reajuste por causa da disparada na cotação do petróleo.

"O cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2008, ainda que a probabilidade de se configurar um cenário alternativo venha aumentando", diz o BC por meio da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC).

O BC diz também que, mesmo que o preço da gasolina não suba, a economia brasileira sofrerá com os efeitos da alta do petróleo sobre outros produtos, como na área petroquímica. O último reajuste oficial da gasolina no país foi em 2005.

No mês passado, quando a cotação do barril do petróleo ainda estava por volta de US$ 110, o Banco Central avaliava que os preços da gasolina e do gás de cozinha (bujão) não sofrerão aumentos no decorrer do ano. Nesta terça-feira, no entanto, o barril chegou a atingir a marca recorde de US$ 119,90.

A gasolina representa quase 5% do IPCA, índice de inflação de referência para o governo.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o aumento no preços dos alimentos é o principal problema mundial, o que deve ser agravado com a influência indireta da alta do petróleo nos insumos agrícolas.

"A alta do petróleo tem impacto na inflação mundial e pode afetar indiretamente o Brasil. Ela entra nos custos dos alimentos, porque há derivados de petróleo que entram na agricultura", disse Mantega.