Título: Juros mais altos nos planos do BC
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Fonte: Jornal do Brasil, 25/04/2008, Economia, p. A18
Banco Central se diz pronto para subir a Selic para evitar "aumento generalizado de preços".
Brasília
O Banco Central está pronto para voltar a aumentar a taxa básica de juros do país ainda neste ano para evitar uma alta generalizada da inflação. A informação faz parte da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom). A ata do Copom é divulgada na semana seguinte à reunião que decide os rumos da taxa básica de juros, a Selic. Na semana passada, o BC elevou os juros de 11,25% para 11,75% ao ano. Os analistas do mercado financeiro acreditam que a taxa terminará o ano em 12,75%.
"O Copom conduzirá suas ações, estando pronto a ajustar a postura de política monetária (leia-se, a taxa básica de juros) de forma a evitar a consolidação de um cenário no qual reajustes pontuais se transformem em reajustes persistentes ou generalizados de preço", diz o Copom.
A diretoria do BC avalia também que o aumento dos juros agora é importante por causa da demanda aquecida dos consumidores e do fato de que a alta da Selic terá impacto "concentrado no segundo semestre de 2008 e em 2009".
Experiência internacional
Na ata, o BC cita várias vezes expressões que mostram a alta recente de preços como "impactos inicialmente localizados", mas apontam para o risco de uma "deterioração persistente" da inflação, o que teria justificado o aumento dos juros.
"Respaldada pela experiência internacional, a atuação da política monetária tende a ser mais efetiva, atingindo seus objetivos com maior rapidez, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está nos estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada", diz o BC.
Economistas aprovam
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola e o diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, Octávio de Barros, defenderam a alta na taxa básica de juros pelo Banco Central, decidida na semana passada pelo Copom (Comitê de Política Econômica).
Segundo os dois, o BC tinha que agir preventivamente para evitar que alguns setores da economia ficassem à vontade pra realizar reajuste de preços.
¿ Essa é a melhor hora do BC falar grosso ¿ disse Barros durante seminário sobre perspectivas da economia brasileira em São Paulo. ¿ Se havia, por exemplo, alguma empresa pensando em repassar preços, com a alta eles pensam duas vezes porque não sabem como ficará o mercado com os juros mais altos.
Já Loyola indicou ser interessante que, ao contrário do esperado, o BC tenha elevado os juros com maior intensidade, a 0,5 ponto percentual. Hoje, a taxa Selic está em 11,75%.
¿ Poderia ser em 0,25, mas em 0,5 ajuda a acelerar o ajuste. E o BC está certo. Assim, o ajuste fica mais curto e não será muito sentido pela economia ¿ disse Loyola.
Os dois acreditam que o ajuste na taxa de juros será menor do que a vista em 2004, circulando entre 1,5 e 2 pontos percentuais.
¿ Ninguém sabe o tamanho do ajuste, mas acredito que será menor do que o de 2004 e deve acabar ainda neste ano ¿ disse Barros.
Porém, não se trata de uma opinião unânime. O diretor executivo do banco Itaú, Sérgio Werlang, disse que foi desnecessária a atuação do BC neste momento.
Margem de erro
O sistema de metas de inflação que o BC usa para balizar a taxa de juros indica uma meta de 4,5% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Porém, a meta possui uma margem de erro de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Werlang defende o uso dessa margem para lidar com a alta repentina dos alimentos.