Título: Matéria-prima alta segura prejuízo
Autor: Totinick, Ludmilla
Fonte: Jornal do Brasil, 03/05/2008, Economia, p. A19

Preço das commodities no mercado internacional compensa valorização do real frente ao dólar.

A alta das commodities favorece muito o cenário positivo em que vivem as exportações brasileiras e compensa a defasagem cambial, segundo especialistas. Só de janeiro a abril deste ano, a receita das exportações cresceu 14,4%. Foram US$ 3,4 bilhões a mais em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação de Comércio Exterior no Brasil (AEB).

Algumas commodities tiveram os preços reajustados em quase 90%. E como 65% das exportações brasileiras são de matérias-primas e 35% de produtos manufaturados, o Brasil não sentiu ainda mais o efeito da desvalorização do dólar.

Nos últimos 12 meses, o valor da soja subiu 87%; do petróleo, 75%; do minério de ferro, 71%; do estanho, 74%; e da liga de alumínio, 23%. O minério de ferro sofre reajuste anual, sempre em 1º de abril, e não é negociado em bolsa de valor.

O vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, ressaltou a importância dos preços das commodities para contrabalançar a desvalorização da moeda americana e fez questão de lembrar que as exportações brasileiras diminuíram em volume, mas aumentaram em valor.

¿ O Brasil fica à mercê do mercado internacional, pois não tem a menor ingerência sobre o valor das commodities e qualquer mudança no mercado internacional vai atrapalhar o cenário nacional ¿ explicou. ¿ Nada impede que em 2009 o Brasil tenha déficit na balança comercial.

Os preços das commodities aumentaram 13,79% e o volume teve queda de 4,79% no primeiro trimestre desse ano. Os produtos básicos tiveram redução em volume de 4,39% e valorização dos preços foi de 16,45%. Os produtos semimanufaturados tiveram redução de volume de 3,36% e 14,50% de valorização do valor. Nos produtos manufaturados, o aumento do preço foi de 10,45% e a queda em volume foi de 4,79%.

Com relação à elevação do grau de investimento conquistado pelo Brasil essa semana, Casto disse que dificultará ainda mais exportações e favorecer importações.

¿ Vai dificultar a taxa de câmbio e aumentar a valorização do real, por isso é muito provável que as exportações sejam prejudicadas e o Brasil invista no exterior ¿ ressaltou o presidente da AEB. ¿ Cada vez que o dólar cai, fica mais caro investir no Brasil.

Outra preocupação sua é a participação de não residentes na dívida pública do Brasil que pode aumentar a instabilidade do país.

Segundo o vice-presidente, a falta de investimentos em produtos manufaturados impede que haja crescimento das exportações brasileiras e diminui a competitividade do país com o resto do mundo.

Um ponto fundamental, segundo o economista, é a diminuição das taxas de juros, pois o Brasil passou a ser um bom pagador de dívidas.

¿ Os juros deveriam diminuir hoje com o grau de investimento ¿ ressaltou. ¿ Há necessidade de investimentos em infra-estrutura em rodovias, ferrovias e área portuária. É fundamental trabalhar para que os custos portuários sejam reduzidos.