Título: Dilma vai ao Senado e tentará fugir do dossiê
Autor: Falcão, Márcio
Fonte: Jornal do Brasil, 05/05/2008, País, p. A4

Convite é para falar do PAC. Oposição vai aproveitar.

brasília

Há tempos que uma audiência na Comissão de Infra-Estrutura do Senado não era tão esperada. Quarta-feira, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vai ao colegiado falar sobre o andamento das obras do Programa de Aceleração do Cresciemnto (PAC). Mas no que depender da oposição, o centro do debate será seu suposto envolvimento, ou de seus assessores, na produção de um dossiê com informações sigilosas sobre gastos com cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A ministra, regimentalmente, não tem obrigação de responder às perguntas sobre o dossiê, mas é certo que os oposicionistas vão pressioná-la. A estratégia dos senadores do DEM e do PSDB já está traçada. A tática é explorar o temperamento explosivo e a inabilidade política da ministra.

¿ A ministra tem muitas vezes uma atitude arrogante e insegura. Na comissão, o interessante é que ninguém tem obrigação de obedecê-la e se calar quando ela diz que vai embora. Estamos prontos para incomodá-la - sustenta o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Duelo verbal

Os governistas minimizam o embate e apostam que a ministra vence o duelo verbal com os oposicionistas se controlar o emocional. A avaliação do governo é que não haverá prejuízos nem para uma eventual candidatura da ministra à Presidência ou para os altos índices de aprovação popular que acumulados desde 2003.

- Acreditamos que a ministra será capaz de deixar claro que não há dossiê e sim um banco de dados. Agora, é importante também que o Senado avalie outras pessoas que têm mais informações para dar sobre este tema, que são o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e o deputado Vic Pires (DEM-PA). Eles são os réus confessos. Assumiram que tiveram o dossiê nas mãos e vazaram dados por aí. Muito antes de vir alguém da Casa Civil, eles é que devem falar - diz a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).

Ação das CPIs

Ainda no Senado, os trabalhos dos parlamentares centrarão esforços nas CPIs das ONGs, dos Cartões e da Pedofilia. A CPI das ONGs volta a tratar de questões relacionadas às fundações de apoio às universidades públicas e começa a investigar a Fundação Renascer, ligada à denominação evangélica dos bispos evangélicos presos nos Estados Unidos, Estevam e Sônia Hernandes. Ao todo, serão 49 requerimentos entre convocações, pedidos de quebra de sigilo e pedidos de informações. Na comissão que investiga a pedofilia, os senadores tentam ampliar as informações sobre os usuários do Orkut que estão sob suspeita.

A expectativa na CPI dos Cartões está em torno dos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ), que levantaram suspeita de que servidores públicos do Legislativo e do Executivo fizeram compras com cartões corporativos em lojas das quais são ou foram sócios. Os deputados prometeram confirmar se há ou não irregularidades nestes gastos.

¿ A ilegalidade decorre da ofensa à moralidade, já que existe a recomendação do poder público não fazer aquisições em empresas das quais é sócio - afirma Sampaio.

Caso Paulinho

No plenário do Senado, são 12 medidas provisórias com a chegada da MP que prevê o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), aprovada pela Câmara. Pelo salão verde do Congresso, os deputados estão mais perto de liberar a pauta de votação. São quatro medidas provisórias e três projetos de lei com urgência constitucional com prioridade de votação. Entre elas se destaca a MP 421/08, que reajusta o salário mínimo para R$ 415 desde o mês de março.

Entre as atividades das comissões permanentes da Câmara está a audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia que discute a compra da Brasil Telecom pela Oi e os impactos da negociação para os clientes. Em meio aos debates de governo e oposição, as atenções estarão voltadas para o deputado Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP) suspeito de envolvimento no esquema de desvio de verba no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O PDT já avisou que espera explicações rápidas do deputado e o PSOL decide na terça se entra com representação por quebra de decoro parlamentar contra Paulinho no Conselho de Ética da Câmara.

¿ Esperamos que ele vá à tribuna para passar a versão dele. Se ele continuar sumido, é uma atitude de auto-incriminação - diz o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).