Título: Governo capta US$ 500 milhões
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Jornal do Brasil, 08/05/2008, Economia, p. A17

Procura por títulos brasileiros com vencimento em 2017 é maior que oferta. Juros foram os mais baixos.

Brasília

O Tesouro Nacional voltou a emitir bônus soberanos em dólares no mercado internacional, depois de quase um ano sem fazer operações deste tipo. Ontem foram captados US$ 500 milhões em títulos Global com vencimento em 2017 nos mercados americano e europeu. A taxa de juros paga ao investidor ficou em 5,299% ao ano, a mais baixa já oferecida para um título de 10 anos pelo país. A demanda pelos títulos superou a oferta.

Essa é a terceira emissão com esse tipo de papel no exterior em dólar e a primeira depois de o país receber grau de investimento. A última foi em abril do ano passado, cujo valor foi de US$ 525 milhões, e a primeira foi em novembro de 2006, de US$ 1,5 bilhão. Desde então, as emissões estavam sendo adiadas devido às turbulências no mercado externo, que encareciam o custo da nova emissão de dívida pelo governo. Porém, a última captação em reais aconteceu em junho de 2007.

O Tesouro Nacional informou ainda que a emissão dos papéis Global 2017 havia sido estendida ainda ontem ao mercado asiático, com valor previsto de US$ 25 milhões, depois da abertura do mercado local no fim da tarde. Por conta disso, o órgão informou que o resultado final da emissão seria anunciado hoje, depois de concluída a oferta.

A demanda americana e européia pelos papéis foi considerada "muito positiva" pelo órgão que não quis comentar o tamanho da procura para não ferir as regras internacionais.

A retomada de emissão dos títulos da dívida externa acontece uma semana após a agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P) ter concedido grau de investimento ao Brasil. Refletindo tal cenário, diz o Tesouro Nacional, a taxa de retorno para o investidor ¿ de 5,299% anuais ¿ alcançou o patamar mais baixo em relação às últimas duas emissões.

Na primeira operação, em novembro de 2006, o juro havia ficado em 6,249% anuais. E na segunda, em 5,888% anuais.

A liquidação financeira da emissão ocorrerá no dia 14 de maio e os cupons de juros de 6% em 17 de janeiro de cada ano até o vencimento em 2017. A emissão, segundo o Tesouro Nacional, foi liderada pelos bancos HSBC Securities e Deutsche Bank.

Baixos juros

Na prática, diz o órgão, o juro mais baixo reduz o custo do Brasil para financiar os bônus soberanos. Porém, o título foi emitido com spread de 140 pontos-base, a maior taxa desde a primeira emissão. Para se ter uma idéia, na última emissão, em abril do ano passado, o spread havia sido de 122 pontos-base. O valor ficou também acima do título do Tesouro Americano (Treasury) com vencimento em fevereiro de 2008, informou o Tesouro Nacional. O órgão atribuiu a elevação do spread em tal emissão à redução do juro americano praticada pelo banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, para amenizar os efeitos da crise no setor bancário americano.

Ainda de acordo com o órgão, as emissões que seriam feitas no mercado asiático teriam preços maiores ou semelhantes aos papéis emitidos ontem nos Estados Unidos e Europa.

O Tesouro Nacional vinha adiando as emissões de bônus soberanos diante da crise dos Estados Unidos temendo o encarecimento do custo do governo em tais operações. Mas o estímulo de retomar às emissões veio por conta da nota de grau de investimento concedida ao Brasil na semana passada, o que reduziu o juro pago pelo governo para financiar os títulos da dívida externa no mercado internacional.