Título: Exército sem prazo para sair
Autor: Gisele Teixeira e Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 17/02/2005, País, p. A3

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente José Alencar definiram que a ação do Exército no Pará ocorrerá por tempo indeterminado. O objetivo é evitar que a presença militar seja tratada como mais uma ação emergencial a reboque de acontecimentos com repercussão negativa para o governo federal. Em nota oficial, o comando do Exército informou que 2 mil homens terão o apoio de aviões da FAB. Todos estarão sob o comando do general-de-brigada Jairo César Nass, com sede de comando em Altamira (PA).

Inicialmente, segundo o comando da Força, serão utilizados militares de Manaus, Belém e Marabá (PA). Além disso, na seqüência da operação no interior paraense, poderão atuar homens do comando de Recife, da brigada de pára-quedistas do Rio de Janeiro, do comando de operações especiais de Goiânia e de uma unidade em Taubaté (SP).

Assim como ocorreu no Haiti, onde o Brasil comanda uma operação de paz da ONU desde o ano passado, o Exército vai criar bases temporárias (com barracas de lona, por exemplo). Uma delas será na cidade de Anapu, onde a freira brasileira de origem americana Dorothy Stang foi assassinada no último sábado.

Ontem, um primeiro efetivo de 150 soldados fez o deslocamento para a cidade de Parauapebas, na Região Sul do Estado, onde o sindicalista Soares da Costa Filho foi morto na terça-feira com três tiros.

Além disso, o governo federal pretende aproveitar a presença de tropas do Exército no Pará para colocar em dia a fiscalização relativa à regularização fundiária, desmatamento e cumprimento de leis trabalhistas, além das atividades que serão desenvolvidas pela Polícia Federal.

Os alvos foram apresentados aos militares ontem, em reunião realizada durante quase todo o dia em Belém por representantes locais do Incra, Ibama e da Delegacia Regional do Trabalho. As polícias estaduais listaram uma série de mandados de prisão ainda não cumpridos devido ao clima tenso no centro-oeste e sul do Estado.

Como não há prazo para o fim das operações, a PF e as polícias civil e militar do Pará pretendem aproveitar ao máximo esse horizonte. Há tarefas cotidianas que não são realizadas devido à tensão entre madeireiros e sem-terra. Segundo policiais do estado, é costume no Pará as pessoas andarem armadas no interior.

Enquanto o Ibama programa suas ações para combate ao desmatamento, detenção de madeireiros e aplicação de multas às empresas, o Incra quer fiscalizar o uso da terra e a DRT tem um mapa de ocorrências de trabalho escravo. Todos aguardam ansiosos que soldados do Exército assegurem a segurança.

o falar hoje com a reportagem: As Forças Armadas vão usar também helicópteros para acompanhar ações de desarmamento de madeireiros e grileiros da região.