Título: Lula critica as agências de risco
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 10/05/2008, Economia, p. A17

Os Estados Unidos estão entupidos de dívidas, mas têm risco zero, reclama o presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a inexistência de risco de investimento nos Estados Unidos, abatido por uma crise de crédito que tem gerado perdas bilionárias nos últimos meses.

¿ Fico abismado de ver que o risco americano é zero. Tá numa crise desgraçada e não tem risco. Aumenta o risco do Brasil, o risco da Rússia, enquanto nos Estados Unidos, que estão entupidos em dívidas, o risco zero. É uma inversão das empresas que medem risco na minha opinião ¿ afirmou.

O chamado rating (nota de risco) é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa ou país quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, essas agências preparam notas para estes títulos, para que os potenciais compradores avaliem os riscos. Quanto melhor a nota, menor o risco de calote.

A crise mundial de alimentos também foi mencionada pelo presidente. Segundo Lula, a tendência é que quanto mais os países crescerem economicamente, mais potencial de compra a população vai ter para se alimentar e diversificar o que consome à mesa.

¿ Temos um problema que não acho grave, que é a subida do preço dos alimentos. Esse é um desafio, não pode ser encarado como uma coisa desastrosa para nós. É a chance que temos de fazer mais uma revolução agrícola.Nem um país tem a quantidade de sol por ano que o Brasil tem, a quantidade de água, a quantidade de terra agricultável e de gente que sabe trabalhar no campo.

Lula também defendeu a expansão econômica de forma contida, desde que seja duradoura.

¿ Nunca trabalhei com a idéia de que o Brasil devesse fazer a loucura de crescer 10% ou 15% ao ano, como já crescemos na década de 70. Trabalho com a idéia de que possamos crescer 5%, 6%, 4,5%, mas que seja durante um longo período, e vá construindo bases sólidas para que a gente não retroceda quando acontece crise em qualquer lugar do mundo.

As declarações foram feitas pelo presidente em Pojuca (BA), durante discurso na visita ao projeto Gasene (Gasoduto Sudeste-Nordeste).

A agenda do presidente na Bahia incluiu também visita ao município de Lauro Freitas e à capital Salvador, onde assinou atos do PAC nas áreas de habitação, saneamento, infra-estrutura, além do Bolsa Formação para militares.

Brasil na Opep

O presidente Lula reafirmou sua intenção de solicitar a entrada do Brasil na Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), depois de serem encontradas jazidas de petróleo no país, em entrevista publicada hoje pelo semanário alemão Der Spieg el.

Além disso, o presidente promete lutar por um preço mais baixo da commodity depois de garantir sua entrada na Opep. Na entrevista, Lula defende a aposta do Brasil na produção de biocombustíveis e rejeita as críticas de que os cultivos de cana atrapalhariam os produtos destinados à alimentação, especialmente cereais.

O presidente acredita que os europeus devem deixar nas mãos de outros países a produção de combustíveis, pois "nós e os africanos podemos fazer isso muito melhor". Em vez de criticar, os países desenvolvidos deveriam "deixar de subvencionar seus agricultores e de estabelecer enormes tarifas às importações".

Lula fez essas declarações com vistas à próxima cúpula União Européia-América Latina, que será realizada em Lima, e à viagem da chanceler alemã, Angela Merkel, ao Brasil.