Título: Taxa de inflação sobe para 0,55%
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Fonte: Jornal do Brasil, 10/05/2008, Economia, p. A19

Alimentos puxam aceleração moderada na perda do poder de compra da moeda brasileira

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,55% em abril, o que representa aceleração frente aos 0,48% verificados em março, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,04%, acima dos 4,73% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores e da meta de inflação do governo para 2008, de 4,5%, com margem de tolerância dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Em abril de 2007, a inflação pelo IPCA subira 0,25%. O resultado de abril deste ano bate com as expectativas divulgadas nos últimos dias por bancos e corretoras.

¿ Foi nesta época, em 2006, que a taxa dos 12 meses começou a decrescer. Atualmente, verifica-se que a taxa tem crescido de forma sistemática e insistente ¿ afirmou a coordenadora da pesquisa, Eulina dos Santos.

Os alimentos pressionaram mais o índice e tiveram alta de 1,29%, ante 0,89% constatados no mês anterior. A contribuição deste grupo representou 0,28 p.p. (ponto percentual) do IPCA, quase metade do total.

No ano, os alimentos tem inflação acumulada de 4,37%. De janeiro a abril de 2007, a alta acumulada dos alimentos era de 2,65%. Neste item, o destaque de alta foi do pão francês, que subiu 7,33%, depois de aumento de 4,24% no mês anterior. Foi a maior contribuição ao índice, com 0,08 ponto percentual. A farinha teve alta de 6,8%, seguida pelo pão doce (3,02%), macarrão (2,34%) e pão de forma (1,12%).

Também subiram os preços da cebola (15,87%), do leite pasteurizado (3,56%), do óleo de soja (3,18%), do arroz (1,96%) e de carnes (1,35%).

Em movimento contrário, apresentaram queda o feijão carioca (-10,99%), ovos (-4,03%), frango (-3,02%), açúcar refinado (-1,25%) e feijão preto (-0,73%).

Os produtos não-alimentícios tiveram alta de 0,34%, abaixo dos 0,36% de março. Os produtos de vestuário subiram 1,53%, e os artigos de limpeza tiveram elevação de 1,41%.

O preço do álcool caiu 0,65%, seguido pelas tarifas de energia (-0,49%) e pela gasolina (-0,14%).

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado entre as famílias com renda mensal até seis salários mínimos, ficou em 0,64% em abril, ante 0,51% de março. Nos 12 meses encerrados em abril, o indicador acumula elevação de 5,9%, acima dos 5,5% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.

Impacto na pobreza

O economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas, explica que o aumento registrado nos itens da cesta básica tem maior impacto sobre a população de baixa renda, cujos orçamentos são mais comprometidos com alimentação.

Braz prenuncia que a tendência de alta não deve durar muitos meses, pois agora o país entra no período de colheita da safra. Isto, embora não faça os preços retornarem aos patamares anteriores, certamente "vai tirar a gordura dos últimos reajustes", segundo o economista. Ele usa o exemplo do feijão, que em 2007 apareceu como vilão da inflação e que já começa sa apresentar tendência de queda nos preços.

Inflação no aluguel

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) teve alta de 1,36% na primeira prévia do mês de maio, realizada pela Fundação Getúlio Vargas. Para o mesmo período de apuração no mês de abril, a variação foi de 0,33%.

A metodologia aplicada na apuração do IGP-M é a mesma do IGP-10 e do IGP-DI ¿ usados no reajuste, por exemplo, de contratos de aluguel ¿ também apurados pela FGV, com a única diferença de terem um período de coleta diferente. A primeira prévia do IGP-M de maio compreendeu o intervalo entre os dias 21 e 30 do mês de abril.

José Ricardo Bernardo, analista da Consultoria Guedes & Pinheiro, acha que os aumentos de diversos itens do IPCA, acumulando 5,04% em 12 meses, poderá incentivar o Banco Central a promover novo reajuste na taxa básica de juros (Selic). A previsão, entretanto, não o faz acreditar que, nesta hipótese, haveria redução da pressão inflacionária: "A alta das commodities agrícolas é resultado da demanda mundial, mas a supersafra de grãos esperada para este ano deve reduzir as pressões no mercado interno ¿ afirma Bernardo.

O IPA (Índice de Preços por Atacado) subiu 1,82% na primeira prévia de maio, contra 0,26% um mês antes.