Título: Austeridade fiscal garante a nota
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Fonte: Jornal do Brasil, 01/05/2008, País, p. A2
S&P destaca política monetária e superávit primário como responsáveis pela elevação do país.
Nova York
"O bom pragmatismo da política econômica do Brasil mostra que o país tem uma forte perspectiva de crescimento sustentável para o futuro", disse ao JB a diretora de rating soberano da Standard & Poor¿s, Lisa Schinellar. Notou que a elevação do rating Brasil para grau de investimento deu-se depois de várias demonstrações do governo de que está trilhando o caminho certo. Como exemplo de medidas que ajudaram na conquista do rating, Shinellar apontou a austeridade fiscal e a manutenção da meta do superávit primário.
¿ O governo Luiz Inácio Lula da Silva reforçou várias vezes o estabelecimento de 3,8% do PIB como meta de superávit primário. Cumpriu o que prometeu, inclusive depois que o Congresso brasileiro rejeitou a aprovação do CPMF ¿ disse Lisa. ¿ Também pesou a decisão de preservar a liberdade de ação do Banco Central. O BC utiliza todas as ferramentas de política monetária que julga apropriadas para garantir a estabilidade econômica. É notável o combate à inflação e a manutenção da meta de 4,5%. Não vejo motivo para a surpresa dos brasileiros.
Brasileiros, porém, não foram os únicos surpreendidos pela elevação do rating . Economistas e gerentes de portfólios americanos, especializados em aplicações nos mercados emergentes, também receberam como fato inesperado a classificação.
¿ O Peru teve nota de risco de crédito elevada recentemente. Aquele país apresentava melhores indicadores do que o Brasil. Na área da dívida pública os peruanos estão se comportando de modo mais ajuizado. No entanto, é inegável que a economia brasileira é muito maior do que a do Peru e o governo do presidente Lula fez enormes progressos ¿ diz Joseph Balastrino, gerente de portfólio do Federated Investiment ¿ uma gigantes de investimentos nos EUA.
O professor de finanças Kenneth Froewiss, da Stern School of Business da Universidade de Nova York, lembra que a dívida pública ainda é motivo para preocupações.
Outras duas agências de classificação informaram que reanalisam o rating brasileiro. A Moody"s reconhece a melhora da situação fiscal do país, mas vê algumas vulnerabilidades em comparação a países considerados grau de investimento, segundo o vice-presidente da agência de classificação de risco, Mauro Leos. Já a Fitch Ratings afirmou que a nota da dívida soberana do Brasil está em "revisão ativa". A Fitch não mudou, no entanto, a perspectiva estável da nota BB+ do Brasil, apenas a um degrau do grau de investimento, na avaliação da agência.
Agências reavaliam país
¿ Há uma tendência de manutenção de gastos públicos em 40% do PIB, e que vem ocorrendo há muitos anos. Não apenas durante esta administração. O patamar de outros países latino-americanos é de cerca de 20%. Será necessário diminuir estes gastos no Brasil ¿ diz.
Mas Lisa Schinellar não vê motivos para tanta preocupação:
¿ A manutenção das metas para a inflação, a política de câmbio flutuante e a procura da austeridade fiscal, fazem com que o Brasil tenha boas bases para aliviar a dívida pública, em relação ao PIB. Vários outros países que já obtiveram o rating de grau de investimento não têm PIB igual ao do Brasil. A economia brasileira dá mostras de que continuará com crescimento sustentável nos próximos anos.
Para Noel Monroe, da empresa Dresden Investment com braço especializado em aplicações em países emergentes, o Brasil há tempos é um porto seguro para os investidores.
¿ Não é segredo que o Brasil é um país de economia estável e de grandes atrativos para os investidores ¿ disse.