O Globo, n. 32.302, 14/01/2022. Economia, p. 11
Fake news nas redes preocupam para eleições de 2022
Carolina Nalin
Palco do Conhecimento recebeu debates sobre desinformação e sobre como star-tups podem melhorar educação no país
As novas formas de se lidar com a informação foram o tema central do primeiro dia do Palco do Conhecimento, organizado pela Editora Globo na Rio Innovation Week. Especialistas discutiram o papel das edtechs (start-ups de educação) nas escolas e a responsabilidade das redes sociais no combate à desinformação tanto nas eleições quanto em temas de saúde pública.
As fake news foram destaque na mesa “Os avanços da divulgação da ciência após 2 anos de Covid”. Para Natalia Pasternak, bióloga e comunicadora de ciência, a comunidade científica deve usar as mídias sociais para atrair o leitor para instituições e pesquisadores que publicam conteúdo confiável.
A gente costuma dizer que a nossa obrigação é fazer a informação correta circular de uma maneira acessível, didática e adequada. — disse Pasternak. — E as mídias sociais não são locais de produção de conteúdo, porque elas são “terra de ninguém”. Estabelecer a linha fina entre o que é censura e o que é controle de desinformação não é uma tarefa simples, e as mídias sociais não estão interessadas nisso, elas estão interessadas em cliques e likes.
A mesa teve mediação de André Miranda, editor executivo do GLOBO, e participação de Jerson Lima Silva, presidente da Faperj, e da pneumologista Margareth Dalcolmo, que fez coro:
— As redes sociais fazem um enorme desserviço para populações vulneráveis quando não realizam uma seleção criteriosa do que é eticamente publicável —disse.
PROBLEMA DE CONECTIVIDADE
Esse mesmo papel danoso das redes sociais foi apontado pela cientista da computação Nina da Hora, na mesa anterior, que discutiu “Fake news e desafios de uma eleição transparente”, com a participação de Gustavo Binenbojm, jurista, Marco Aurélio Ruediger, diretor da FGV DAPP, e mediação de Paulo Celso Pereira, editor executivo do GLOBO.
— A construção, o desenvolvimento e o uso de algoritmos são baseados no engajamento — destacou ela. — Assim, não podemos cair na armadilha de achar que só a legislação e a mudança dos termos das redes sociais serão suficientes. Não acho que a gente vai conseguir se preparar para (as eleições de) 2022, tamanha a magnitude que as redes ocuparam nas nossas vidas.
Na mesa de abertura, a importância das edtechs em um ecossistema educacional ainda marcado por tanta desigualdade foi o tema discutido por Marco Fisbhen, CEO e fundador do Descomplica; Claudia Costin, diretora do Centro de Políticas Educacionais da FGV; Anderson Morais, CEO do Pátio; João Leal, CEO e cofundador da Árvore; com mediação de Josy Fischberg, jornalista do GLOBO.
— Acho fundamental que se construa um caminho para a inovação na educação pública. Há um problema sério de conectividade que atrapalhou muitíssimo na resposta educacional à Covid —frisou Claudia Costin.