Correio Braziliense, n. 22589, 22/01/2025. Negócios, p. 8

Unafisco critica recuo do governo sobre Pix
Israel Medeiros


A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) voltou a criticar ontem o governo de Luiz Inácio Lula da Silva pelo fiasco da Instrução Normativa da Receita Federal que ampliaria a fiscalização em transações bancárias, incluindo o Pix. A entidade criticou tanto as falhas de comunicação do Executivo quanto o fato de a administração petista ter voltado atrás depois de uma onda de desinformação liderada por influenciadores e políticos bolsonaristas.

“A Secretaria de Comunicação (Secom) reforçou a narrativa de que o Pix passaria a ser observado pela Receita, gerando pânico entre usuários e municiando opositores com argumentos infundados.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que viralizou um vídeo comentando o assunto e aproveitou a ocasião para reforçar informações incorretas.

Em última análise, o deputado e outros acabaram prestando um favor aos interesses do crime organizado”, escreveu a Unafisco.

Para a entidade, as brechas de fiscalização existentes hoje são amplamente exploradas pelos criminosos para lavar dinheiro e mandar ilegalmente dólares para fora do país. “Sem a inclusão de bancos digitais e fintechs, criminosos e doleiros encontram um ambiente favorável para a lavagem de dinheiro”, disse a associação em nota.

“Esse episódio evidencia que a desinformação e a falta de clareza na comunicação oficial podem minar esforços sérios de combate ao crime organizado”, escreveu a Unafisco.

Segundo a associação, o governo errou ao tentar explicar a instrução normativa. A Unafisco criticou especificamente o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas e disse que ele “confirmou equivocadamente que o Pix passaria a ser monitorado pela nova Instrução Normativa”, sendo que as transações com o Pix já eram informadas pelos bancos à Receita Federal.

Ontem, a entidade fez recomendações ao governo sobre como lidar com o assunto. O Correio procurou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência e o deputado federal Nikolas Ferreira para pedir um posicionamento.

Não houve resposta até o fechamento desta edição.