Título: Aumento terá maior influência sobre IGP-M
Autor: Monteiro, Ricardo Rego; Exman, Fernando
Fonte: Jornal do Brasil, 01/05/2008, Economia, p. A17

Os reajustes deverão ser mais sentidos no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), do que no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta é a opinião do economista Luiz Roberto Cunha, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ),

Levando-se em consideração um peso de 1,24% e 2,53%, respectivamente, da gasolina e do diesel sobre o Índice de Preços do Atacado (IPA) ¿ que compõe uma parcela do IGP-M ¿ Cunha prevê um impacto de 0,40 ponto percentual sobre o índice cheio já em maio.

O economista avalia que o impacto do reajuste do diesel deverá ser minimizado devido a fatores políticos. Em ano de eleições municipais, justifica, dificilmente as prefeituras deverão autorizar o repasse para os preços das passagens de ônibus. Além do transporte municipal, o derivado também influencia diretamente os custos dos fretes.

Embora o aumento seja suficiente para pressionar a inflação, para as contas da Petrobras tem impacto limitado. Pelo menos é o que avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), ao lembrar que o último reajuste desses dois derivados ocorreu em setembro de 2005, quando o barril do petróleo encontrava-se no patamar de US$ 65. Ontem, o barril do tipo WTI, na Bolsa de Nova York, encerrou o dia em queda de US$ 2,17, cotado a US$ 113,46. Já o Brent, negociado em Londres, caiu US$ 2,07, para US$ 111,36.

Pelos cálculos de Pires, o represamento do reajuste custou à Petrobras, desde 2005, R$ 7,5 bilhões. Ainda de acordo com o consultor, se o barril do petróleo e o câmbio permanecessem congelados nas cotações de ontem, o prejuízo da Petrobras seria de R$ 500 milhões em maio. Não fosse o reajuste, compara Pires, o prejuízo em maio subiria para R$ 1 bilhão.

¿ A Petrobras tem que torcer para o barril no mercado internacional cair daqui para frente, de modo a minimizar o prejuízo mensal com a atual política de preços ¿ afirma o consultor, ao duvidar de um impacto zero nas bombas. ¿ No papel, a redução da Cide funciona bem. O problema é que não dá para saber se os distribuidores e revendedores não vão aproveitar o reajuste.