Título: Iris Rezende, favorito, espanta até adversários
Autor: Vieira, Pedro
Fonte: Jornal do Brasil, 11/05/2008, País, p. A3
Prefeito caminha para reeleição folgada em Goiânia.
Brasília
Ao atual prefeito e candidato a reeleição em Goiânia, Iris Rezende (PMDB), não faltam motivos para sorrir. Nos últimos meses, Resende, que aparece disparado nas pesquisas de intenção de voto, ameaçando levar o pleito já no primeiro turno, conseguiu uma façanha até então inédita no restante das capitais do país: o apoio e a disposição do PT para ocupar o lugar de vice na chapa encabeçada por ele.
Por enquanto, o todo-poderoso prefeito caminha sem adversários para a reeleição. Pelo menos três nomes estão no páreo. Mas nenhum deles conseguiu, sequer, confirmar sua candidatura à prefeitura local.
O pré-candidato que aparece com mais condições para a disputa com atual prefeito é o senador Demóstenes Torres (DEM). O parlamentar atinge 13% das intenções de voto nas pesquisas realizadas até o momento. Mas ainda não assume a candidatura. Por enquanto, o Democratas tem até outro postulante para o cargo, o ex-deputado federal Vilmar Rocha.
Outro nome que demonstra certa viabilidade eleitoral é o do deputado federal Sandes Júnior (PP), candidato do governador Alcides Rodrigues (PP) e terceiro colocado nas últimas eleições municipais para a cidade. O deputado tem de 10% a 11% das intenções de voto, mas luta com o racha da base de Alcides no nível municipal.
Afastamento
Nos últimos anos, a grande liderança do grupo que levou Rodrigues ao poder e o sustentou nos primeiros anos de governo tem sido a do PSDB, do senador e ex-governador Marconi Perillo. Os tucanos, entretanto, têm se afastado cada vez mais do governo estadual. Tanto que prefeririam lançar a candidatura da também deputada federal Raquel Teixeira, que contabiliza de 6% a 7% nas pesquisas. O PR, do deputado federal Sandro Mabel, e o PTB, do deputado federal Jovair Arantes, também já abandonaram provisoriamente o bloco de Alcides e se aproximam do favorito Iris.
Raquel, entretanto, também não conseguiu negociar de maneira definitiva sua candidatura. Setores do partido defendem que, para ter alguma chance contra o atual prefeito, o PSDB deveria fechar parceria com o Democratas. A articulação, contudo, enfrenta resistências dos principais líderes de ambos os partidos no Estado. Perillo é desafeto declarado do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM).
Outro partido da base aliada do governador Alcides Rodrigues, o PSB, tenta alavancar a candidatura do ex-deputado federal Barbosa Neto. Derrotado em 2006 na disputa pelo governo estadual, Barbosa aparece com 8% nas pesquisas. Mas é outro que até o momento não conseguiu escapar das especulações de que sua campanha serve apenas para negociar vaga de vice em outra chapa.
Uma das razões para a falta de solidez das campanha dos concorrentes é que todos sabem o páreo duro que terão pela frente caso tenham que enfrentar o atual prefeito nas urnas. Ele desponta de forma isolada nas pesquisas de intenção de voto realizadas até o momento, oscilando entre 44% e 47%.
Como se a popularidade alta e o controle da máquina administrativa da prefeitura goiana não fossem o bastante, a candidatura do prefeito conquistou, recentemente, em decisão apertada, o suporte do PT. O apoio do antigo desafeto não veio de forma fácil. Nas últimas eleições municipais, em 2004, Iris Rezende derrotou exatamente o candidato petista à reeleição, Pedro Wilson. Mas, a exemplo do que ocorre em outras cidades brasileiras, o PT goiano optou dessa vez por uma coligação com ex-adversários.
Na reunião de delegados do diretório municipal petista, a tese da aliança com o PMDB ganhou da que defendia candidatura própria por apenas um voto: 116 a 115. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aplaudiu a reprodução goiana da aliança federal entre os dois partidos. Desde o início do ano, Lula tem recomendado ao PT e aos demais partidos da base que evitem confrontos nas eleições municipais. Orientação que, na maioria das capitais, tem sido sistematicamente ignorada.
O apoio, embora praticamente concluído, ainda não foi concretizado. O PT impôs duas condições para oficializá-lo. A vaga de vice na chapa e a possibilidade de participar da elaboração do programa de governo.
Nos bastidores, o comentário é de que líderes petistas já estão de olho em 2010. A estratégia é apostar na provável candidatura de Rezende ao governo estadual daqui a dois anos. Ao invés de se aventurar na árdua tarefa de enfrentar o atual prefeito nas urnas, o partido receberia de bandeja a prefeitura alguns meses após as eleições.