Correio Braziliense, n. 22595, 28/01/2025. Economia, p. 7

Escalada da inflação


O mercado financeiro elevou novamente as expectativas para inflação oficial de 2025, consolidando a 15ª alta consecutiva no indicador, conforme os dados do boletim Focus divulgado, ontem, pelo Banco Central (BC). A mediana das previsões dos economistas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano passou de 5,08% para 5,50%, taxa ainda mais distante do teto da meta, de 4,50%.

Para 2026, a projeção também subiu, passando de 4,10% para 4,22%, marcando o 5º aumento consecutivo.

A expectativa de inflação para 2026 segue acima da meta, de 3%, e, portanto, deve pressionar ainda mais o Banco Central a adotar uma postura mais agressiva no controle da inflação, ampliando o ciclo de alta da taxa básica da economia (Selic). As revisões para cima das estimativas reforçam o cenário desafiador enfrentado pela economia brasileira, com persistentes pressões inflacionárias.

A mediana das estimativas do Focus para a taxa Selic no fim de dezembro, contudo, foi mantida em 15% ao ano. Para 2026, a previsão de juros subiu de 12,25% para 12,50% ao ano, enquanto que, para 2027, a taxa foi ajustada de 10,25% para 10,38% anuais.

“O aumento da inflação gera incertezas na economia e pressiona a política monetária, resultando em juros mais altos. Nesse cenário, investidores devem buscar ativos seguros, como imóveis, que, historicamente, funcionam como proteção contra a perda de valor do dinheiro”, afirmou Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

Contudo, ele lembrou que, devido ao encarecimento do crédito, o mercado imobiliário estará mais desafiador neste ano e no próximo.

A mediana das estimativas do mercado para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, passou de 2,04% para 2,06%. E, para 2026, foi ajustada para baixo, de 1,77% para 1,72%, refletindo, em parte, o impacto da política monetária mais apertada