Correio Braziliense, n. 22598, 31/01/2025. Economia, p. 7

Ibovespa dá salto e sobe quase 3%
Fernanda Strickland



O Ibovespa encerrou o pregão, ontem, em forte alta, impulsionado pela repercussão das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o futuro da política monetária. O principal índice da B3 avançou 2,82%, alcançando os 126.912 pontos, a maior alta diária desde março de 2023.

A bolsa brasileira ganhou força ao longo do dia após Lula afirmar que o novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, buscará, “dentro do possível, entregar inflação e juros mais baixos”.

O mercado reagiu positivamente à sinalização de que a nova gestão do BC poderá adotar uma política monetária mais expansionista, o que pode favorecer a atividade econômica e o mercado de ações.

Enquanto isso, o dólar, que iniciou o dia em alta, reverteu a tendência e fechou em baixa de 0,24%, cotado a R$ 5,85. Foi a nona sessão consecutiva de desvalorização da moeda americana frente ao real, marcando a maior sequência de quedas desde julho de 2017. No acumulado de janeiro, o dólar já recua 5,30%.

A mudança de rumo do câmbio ao longo do dia foi atribuída a ajustes técnicos e realização de lucros, além de um cenário fiscal mais favorável. A divulgação de um deficit abaixo do esperado para o Governo Central em 2024 reforçou a confiança dos investidores, contribuindo para o fortalecimento do real.

O mercado de juros futuros também reagiu às expectativas monetárias. As taxas, que já vinham em trajetória de queda após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na noite anterior, ampliaram o recuo e chegaram a cair mais de 40 pontos, ficando abaixo de 15%.

Além da decisão monetária, o comportamento do câmbio também foi influenciado pelas declarações do presidente Lula. O petista reiterou a independência da Petrobras na definição dos preços de seus produtos e reforçou a autonomia do Banco Central, um tema amplamente discutido pelo mercado nos últimos meses.

Essa foi a primeira decisão do novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por Lula. O mercado acompanhava de perto a posição de Galípolo para avaliar se sua condução da política monetária seguiria alinhada com as diretrizes do governo ou se manteria um compromisso técnico com a estabilidade econômica.

Ao elevar a taxa básica para 13,25%, Galípolo demonstrou compromisso com a autonomia do Banco Central e com a necessidade de conter a inflação, afastando especulações de interferências políticas na autoridade monetária.