Título: Meirelles diz que, se necessário, juros subirão
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Jornal do Brasil, 14/05/2008, Economia, p. A17
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem existirem ameaças inflacionárias e que a autoridade monetária fará o que for necessário para manter a inflação sob controle, em uma demonstração que o aperto monetário pode continuar, se houver necessidade.
¿ Esse é um compromisso que temos com o país ¿ disse Meirelles, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
Em resposta aos senadores, que questionaram sobre o retorno do aperto monetário na contramão dos demais países, ele disse ainda que não se pode comparar a economia brasileira com a dos Estados Unidos, que estão reduzindo o juro e perderam participação na economia mundial.
¿ Existem vários países que subiram os juros, e não se pode fazer política monetária por analogia. Cada país tem que fazer uma política monetária conforme a situação local, visando a ter o melhor desempenho econômico no futuro. E no Brasil a idéia é criar condições para que o crescimento econômico se mantenha ¿ complementou Meirelles.
O presidente do Banco Central disse, entretanto, que o cenário de estabilidade econômica que o país vive hoje demanda aperto monetário menor do que no passado.
¿ O Brasil já teve inflação de 40% ao ano; e a tendência a longo prazo é de queda (do juro). Isso não quer dizer que o processo seja linear. É importante que o Banco Central tome medidas a tempo e a hora, para que o país continue na sua trajetória de crescimento com inflação sob controle ¿ explicou.
Ao destacar que o Banco Central está de olho na perspectiva da inflação futura, o que é um desafio, ressaltou que os núcleos de inflação dos últimos quatro trimestres demonstram uma tendência de crescimento dos preços. Meirelles ponderou que os preços no atacado oferecem riscos de repasses ao varejo nos próximos meses. O Banco Central elevou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária em abril, para 11,75% ao ano.
A notícia importante, disse presidente do BC, é que a economia brasileira vai muito bem, apesar das ameaças inflacionárias. Ele destacou, por exemplo, que o país caminha para ter uma taxa de investimento direto de US$ 35 bilhões anuais. E que as reservas internacionais que já superam US$ 190 bilhões, devem chegar a marca de US$ 200 bilhões. Estas reservas, segundo Meirelles, dão estabilidade ao país.
¿ Eis aí um dos fatores que incentivaram o Brasil a receber grau de investimento no mês passado, disse. A obtenção da nota reduzirá o risco geral do país ¿ concluiu.