Título: Efeito estufa assola o continente
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Fonte: Jornal do Brasil, 14/05/2008, Vida, p. A24
Geleiras derretendo, espécies em risco e epidemias exemplificam problema
Geleiras derretendo cada vez mais rápido, sítios arqueológicos em perigo e espécies em extinção são as primeiras provas visíveis dos efeitos do aquecimento global na América Latina ¿ região que, segundo especialistas, sofrerá, além disso, um aumento de doenças.
No Sul da Argentina, o degelo já é um fato. Segundo o Greenpeace - que revelou em março o impactante derretimento da geleira Viedma ¿ nos últimos 20 anos as geleiras da Patagônia diminuíram sua extensão entre 10% e 20%.
¿ Se essa tendência continuar, muitas das geleiras menores da Patagônia desaparecerão nos próximos 20 ou 30 anos ¿ alertou a organização.
A situação é mais dramática nos Andes. O Instituto de Investigações Científicas da Venezuela calculou em abril que as geleiras dos Andes venezuelanos retrocederam cerca de 70% nos últimos 30 anos. Na Cordilheira Branca, no Peru, a geleira Broggi desapareceu em 2005 devido ao aquecimento global.
Marco Zapata, diretor da Unidade de Glaciologia do Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena), indicou: a superfície da Cordilheira Branca é de 535 km², o que representa uma redução de 25%, comparado a 1970.
No ano passado, a Unesco também lançou um alerta na região, rica em tesouros arqueológicos, ao prever que as variações climáticas ameaçariam regiões declaradas Patrimônio Mundial. Entre eles, a zona arqueológica de Chan Chan no Peru, a antiga capital do Reino Chimu, uma das mais importantes da América e que tem uma arquitetura de adobe afetada pelas chuvas do fenômeno do El Niño. Na Costa Rica, a Unesco se preocupa com a área de conservação Guanacaste, onde nos últimos 20 anos se extinguiram 110 espécies de sapos.
Os cientistas também prevêem que o aumento do nível do mar devido ao derretimento do gelo causará graves problemas nas regiões pantanosas e com deltas, especialmente no Equador, Colômbia e Brasil, onde o perímetro da floresta amazônica pode se converter em uma savana. Segundo o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas, entre 2000 e 2005 houve 2,5 vezes mais eventos extremos climáticos na região do que entre 1970 e 2000, e a tendência se manterá. O IPCC prevê mais furacões, secas, chuvas torrenciais, granizo e desertificação na América Latina nos próximos anos.
Outra área crítica é a saúde. Ocorrerá massificação das doenças tropicais como a malária e a dengue, que nos últimos anos alcançou proporções de epidemia no Brasil, Honduras, El Salvador e Venezuela.