Título: América Latina: cai a previsão de crescimento
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Fonte: Jornal do Brasil, 16/05/2008, Economia, p. A18
A Organização das Nações Unidas (ONU) reduziu para 3,1% sua previsão de crescimento para a América Latina e Caribe em 2008, devido às dificuldades atravessadas por seus parceiros comerciais dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, um empecilho para a região. A entidade também rebaixou a estimativa para a economia mundial em 2008 a 1,8%, contra os 3,4% previstos em janeiro.
A atualização do relatório Situação e Perspectivas para a Economia Mundial 2008 adverte que a região da América Latina e Caribe enfrenta "uma diminuição substancial" do intenso ritmo de crescimento experimentado nos últimos três anos.
A nova previsão de crescimento de 3,1% do PIB (Produto Interno Bruto) da região contrasta com a anterior de 4,7%, feita em janeiro, e os 5,7% obtidos por América Latina e Caribe em 2007. A economia mundial no ano passado alcançou 3,8% de crescimento.
Os economistas da ONU também consideram que as dificuldades da região permanecerão em 2009, cujo crescimento econômico previsto se reduzirá para 2,6%. O relatório atribui grande parte do reajuste "aos estreitos vínculos da região com os Estados Unidos, mas também com Europa e China, seus principais parceiros comerciais".
A ONU acredita que a economia americana encerrará 2008 com uma contração de 0,2%. Na Europa ocidental, a alta será de 1,1% e na Ásia oriental, de 5,9%, uma queda de 2,6% em relação a 2007. O relatório mostra que, em geral, as exportações líquidas que sustentaram o crescimento nos últimos anos se estagnarão por causa de uma queda da demanda, enquanto o custo das importações aumentará, por causa dos altos preços do petróleo e dos alimentos.
Assim, destaca que a América Central e o Caribe, particularmente, terá taxas de inflação mais altas por conta de sua dependência da importação de bens como o petróleo. A isso se soma a redução do valor das remessas dos numerosos emigrantes nos EUA, especialmente os vindos do México e da América Central, atingidos pela desvalorização do dólar, afirmam os autores do relatório.
Estas dificuldades vão exigir provavelmente um reajuste da política monetária e fiscal, o que debilitará o investimento público e privado em vários países, e provocar a estagnação das melhoras vividas pelos mercados trabalhistas regionais desde 2004.