Título: Aneel dobra segurança para leilão da usina de Jirau
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Fonte: Jornal do Brasil, 17/05/2008, Economia, p. A19

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reforçou a segurança para o leilão da usina de Jirau, no Rio Madeira, marcado para segunda-feira. Depois de manifestantes invadirem o prédio da agência no leilão de Santo Antônio ¿ primeira usina do complexo do Madeira, leiloada em dezembro de 2007 ¿ a agência dobrou o número de seguranças particulares de 15 para 30.

A Aneel pediu reforço da Polícia Militar, que amanhã começará as rondas nas proximidades. Por questão de segurança, a agência não divulgou o número de policiais que farão a segurança do evento.

O leilão de Jirau custará cerca de R$ 1 milhão, R$ 400 milhões a menos do que o pago no primeiro leilão. Isso porque a Aneel aproveitou parte da estrutura montada para o leilão de Santo Antônio, como computadores e softwares. O custo será repartido entre participantes.

A agência montou para o leilão uma estrutura que ocupa quase metade de sua sede. Os competidores ficarão em salas isoladas de onde não poderão fazer qualquer tipo de contato com o exterior. Policiais federais farão uma varredura na sala amanhã para certificar que não há escutas telefônicas ou invasões à rede e lacrarão cada uma delas.

Os competidores terão à disposição computadores ligados unicamente a uma rede construída para a licitação, de onde farão os lances. O leilão poderá ter até três fases.

Na primeira, os participantes poderão dar qualquer lance, desde que abaixo do teto fixado em R$ 91/MWh. Se a diferença entre os dois lances for menor do que 5% ¿ dois consórcios participarão da disputa ¿ o leilão terá segunda fase.

Nessa etapa, os lances são gerados por computador e cabe ao proponente decidir se o aceita. Caso nenhum dos dois aceite-o, a disputa terá terceira etapa, na qual o menor lance oferecido é o vencedor.

No caso de Santo Antônio, o leilão foi encerrado na primeira etapa, sete minutos depois do início do leilão. Na ocasião, o consórcio liderado pela Odebrecht deu lance de R$ 78,9 MWh, valor 35% menor do que o preço teto.

Inscreveram-se para participar do leilão os consórcios Jirau Energia ¿ com Furnas Centrais Elétricas (39%), Odebrecht Investimentos em Infra-Estrutura (17,6%), Construtora Norberto Odebrecht (1%), Andrade Gutierrez Participações (12,4%), Cemig Geração e Transmissão (10%) e Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia II, formado pelos bancos Banif e Santander, (20%) ¿ e Energia Sustentável do Brasil ¿ com Suez Energy (50,1%), Camargo Corrêa Investimentos em Infra-Estrutura (9,9%), Eletrosul Centrais Elétricas (20%) e Chesf (20%).

A disputa será a partir das 14h, na sede da Aneel. A usina terá capacidade para gerar 3.300 MW e funcionará a partir de 2013.