Correio Braziliense, n. 22613, 14/02/2025. Economia, p. 10
Sem loucura ambiental
Mayara Souto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, ontem, a exploração de petróleo na Margem Equatorial do Rio Amazonas.
Ele deu a entender que é preciso saber o tamanho da bacia petrolífera para se traçar um plano de exploração compatível com a preservação ambiental.
“A Petrobras é a empresa que mais tem tecnologia de prospecção em águas profundas. Não quero estragar um metro de coisas aqui, mas ninguém pode proibir a gente de pesquisar para saber o tamanho da riqueza.
A gente não vai fazer nenhuma loucura”, disse Lula, em evento no Amapá, estado que seria beneficiado pelos royalties do petróleo em caso de extração na Margem Equatorial.
Lula cobrou do ministro Rui Costa, da Casa Civil, o convencimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de “que a gente não vai fazer loucura”. Na quarta-feira, o presidente criticou a autarquia por estar de “lenga-lenga” para liberar a exploração na área. O órgão ambiental receia que, mesmo na fase de pesquisa e prospecção, haja um vazamento que atinja severamente o bioma amazônico.
Apesar de defender a energia limpa, o presidente observou que é possível gerar riqueza com exploração mineral. “Sonho que, um dia, a gente não precise de combustível fóssil, mas está longe. Tem gente que diz que não pode pesquisar a Margem Equatorial para saber se tem petróleo.
Ninguém neste país tem mais responsabilidade climática do que eu. O Suriname e a Guiana estão ficando ricos às custas do petróleo que tem a 50km de nós”, frisou.
Para Lula, explorar a Margem Equatorial e a COP30, em Belém, em novembro, não são excludentes.
“Vê se os Estados Unidos estão preocupados? A Alemanha, a França. Eles exploram o quanto podem. A Inglaterra (com a British Petroleum) está na Guiana, a França (com a Total Energies), no Suriname.
Só nós vamos comer pão com água?”, disse.