Título: Projeto muda lugar da usina de Jirau
Autor: Severo, Rivadavia
Fonte: Jornal do Brasil, 20/05/2008, Economia, p. A18

Consórcio formado pela Suez, Camargo Corrêa, Eletrosul e Chesf venceu com deságio de 21,5%.

Brasília

O projeto do consórcio liderado pela Suez/Camargo Corrêa, que venceu ontem o leilão da Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, prevê a construção da usina nove quilômetros abaixo do local estipulado nos estudos originais. De acordo com o presidente do consórcio Energia Sustentável, Victor Paranhos, essa mudança trará economia para a obra e diminuirá os impactos ambientais.

Paranhos explicou que na nova localidade, chamada de Cachoeira do Inferno, o rio é mais largo, o que significa que as escavações necessárias serão menores. O volume de rochas retiradas no canteiro de obras cairá de 48,9 milhões de metros cúbicos para 5 milhões de metros cúbicos. A mudança vai reduzir em cerca de R$ 1 bilhão o custo total da obra.

A expectativa do consórcio é que o Ibama conceda duas licenças de instalação separadamente. Uma para a concessão do início do canteiro de obras e outra para a efetiva obra da usina. O grupo espera conseguir a primeira licença já em agosto deste ano.

A previsão é que a usina entre em funcionamento em março de 2012, e que a última das 44 turbinas entre em operação até o final de 2013. Pelo cronograma inicial, a obra só seria concluída em 2016.

Leilão

O Consórcio Energia Sustentável ¿ formado pela Suez com 50,1% de participação, Camargo Corrêa com 9,9%, Eletrosul com 20% e Chesf com outros 20% ¿ foi o vencedor do leilão com um lance de R$ 71,40 pelo megawatt hora (MWh), um deságio de 21,5% em relação ao estipulado pelo governo, que era de R$ 91,00 pelo MWh.

Segundo o presidente do Consórcio, Victor Paranhos, a antecipação da geração de energia e melhorias no projeto permitirão um custo menor para o grupo. Foi isso que permitiu um lance vencedor no pregão. A obra está orçada em R$ 8,7 bilhões pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia.

As obras serão executadas pela Construtora Camargo Corrêa que desde o ano passado já adquiriu 40 caminhões para projetos na região amazônica. De acordo com Paranhos, a intenção do consórcio é o de antecipar o começo da geração de energia de Jirau de 2013 para março de 2012.

O consórcio informou também que venderá para o mercado livre, formado por grandes indústrias que compram energia diretamente da usina, 30% do total gerado que é o valor máximo permitido, o que vai reduzir o preço da energia para a distribuidora.

A derrotada foi a Odebrecht que liderava o outro consórcio e era tida como favorita pelo próprio governo. Na visão do Planalto, o favoritismo do grupo baiano decorria do fato de já ter vencido a disputa para a construção de Santo Antonio, o que traria vantagens de escala, já que os canteiros de obras das duas usinas serão próximos e por ter feito os estudos de viabilidade econômica das hidrelétricas, o que lhe confere maior conhecimento sobre os custos do projeto.

O Consórcio da Odebrecht foi formado pela Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura com 17,6% do negócio, Construtora Norberto Odebrecht com 1%, Andrade Gutierrez 12,4%, Furnas 39%, Cemig 10% e Fundo de Investimentos Amazônia, formado pelos bancos Banif e Santander com 20%.

O diretor de Investimentos em Infra-estrutura da Odebrecht, Irineu Meirelles, disse que se surpreendeu com o preço oferecido por Suez.

¿ Tivemos uma postura agressiva. Maior até do que em Santo Antonio. Fomos até o nosso limite ¿ disse o executivo.

O governo já esperava um deságio alto. Na Esplanada dos Ministérios se falava em um preço na casa dos R$ 70,00. O presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, comemorou o resultado:

¿ O preço foi ótimo. Essa alternância é importante, porque mostra que existe competição.