Título: Mantega diz que há desaceleração
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Fonte: Jornal do Brasil, 27/05/2008, Economia, p. A19
Ministro acredita que a economia passa por um ajuste, mas que crescimento deve ser de 5%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse considerar o ritmo de crescimento da economia nacional para este ano satisfatório, durante encontro com empresários ontem em São Paulo. Segundo Mantega, a expansão econômica vista até agora passa por um ajuste sazonal de desaceleração.
Também ressaltou que o governo espera um crescimento de 5% do PIB para este ano. Apesar da perda do ritmo da atividade nos primeiros meses do ano, o ministro está otimista e acredita que haverá reaceleração a partir do meio do ano.
No entender do ministro, a pressão inflacionária deverá atingir menos o Brasil do que outros países. Durante encontro com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ele disse que os alimentos estão com inflação de 2,6% enquanto a média do país é de 5% ao ano.
Para Mantega, se este item for excluído, o aumento de preços fica em 3%. Em seguida, comparou as taxas brasileiras com a de outros países para demonstrar que a economia nacional está mais preservada. No Chile, que tem uma meta de 3%, a taxa chega a 7 a 8%.
¿ O Brasil está dentro da meta ¿ assegura Mantega, considerando que a faixa de 4,5% leva em consideração a banda de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
¿ O preço dos alimentos está atingindo o teto e com a entrada das safras teremos uma reversão dos preços. A taxa não deve cair ao patamar de antes porque a demanda mundial está crescendo. O mundo está sofrendo uma inflação de commodities e isso envolve os produtos agrícolas e metais entre outros ¿ declarou Mantega.
O ministro argumenta que, diante do comportamento do mercado internacional, o Brasil será menos atingido. O governo, segundo ele, está adotando medidas para evitar que a inflação atravesse um período de expansão. E citou iniciativas como a desoneração do trigo, que teve seu imposto de importação reduzido a zero e a alteração da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para reduzir a pressão sobre os combustíveis. O governo está estudando também uma forma de estimular o setor agrícola a aumentar a oferta interna e externa. Para o ministro, desta forma, o país transformará um problema em uma oportunidade para o mercado.
Mantega declarou ainda que a economia brasileira continua em uma trajetória de crescimento robusto. A redução de ritmo atual deve-se a um ajuste sazonal. Segundo o ministro, o governo mantém sua aposta na meta de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB).
¿ Temos plena condição de crescer ao redor de 5% este ano ¿ afirmou Mantega.
O ministro detalhou a estrutura do Fundo Soberano brasileiro: ¿ Nosso fundo é diferente do de outros países. Foi talhado para nossas condições e necessidades.