Correio Braziliense, n. 22632, 08/03/2025. Economia, p. 8
Desaceleração preocupa
Rosana Hessel
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin (PSB), e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, comemoraram, nesta sexta-feira (7), nas redes sociais, o crescimento de 3,4% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2024. Enquanto isso, entidades patronais enviaram nota demonstrando preocupação com a desaceleração da atividade econômica que já está contratada para 2025 e, provavelmente, para 2026.
“PIB crescendo é mais emprego e renda na mão dos brasileiros e das brasileiras. 2025 é o ano da colheita”, escreveu Lula em seu perfil do X, antigo Twitter. Na mesma rede, Alckmin festejou: “É o Pibão do presidente Lula! O Pibão da Nova Indústria Brasil!”, escreveu o ex-tucano, destacando a política voltada para a indústria nacional conduzida por ele frente ao Mdic e o avanço de 7,3% no investimento produtivo e garantiu que o país caminha para o crescimento sustentável.
A ministra do Planejamento, por sua vez, também festejou o resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas redes sociais, e destacou para o dado da renda per capita, que cresceu um pouco menos do que o PIB nacional, que somou R$ 11,7 trilhões. “Boa notícia! O PIB per capita do Brasil em 2024 foi de R$ 55.247,45. Cresceu 3% em termos reais. Isso equivale a R$ 4.604 por mês por habitante. Significa aumento da renda média do brasileiro. Agora é seguir avançando, combatendo a inflação para baratear o preço dos alimentos”, escreveu Tebet, no X.
Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi mais contido, cumpriu agenda da semana longe de Brasília e só se pronunciou sobre o PIB à noite. Em entrevista ao podcast Flow, único compromisso oficial ontem, ele afirmou que a pasta projeta crescimento de 2,5% neste ano, acima da última previsão oficial, de 2,3%.
Desaceleração
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstrou preocupação com o processo de desaceleração do PIB no último trimestre do ano, que registrou variação de 0,2%, mas elogiou as medidas do governo para o setor produtivo. Para a instituição, esse resultado indica “um cenário de alerta para 2025” e ainda defendeu que o governo adote medidas para o equilíbrio econômico e que contribuam para a racionalidade dos gastos públicos. “Precisamos buscar o equilíbrio fiscal, com atenção às despesas, uma vez que a carga tributária já está no limite, principalmente para o setor industrial que é o mais sobrecarregado do país em relação a tributos”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, na nota.
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) engrossou o coro e defendeu a adoção de uma reforma fiscal robusta para uma alocação mais eficiente dos recursos públicos. “Este é o primeiro passo para a construção de um Estado eficiente, com infraestrutura de qualidade e um ambiente de negócios favorável. Caso contrário, voltaremos à combinação perversa de crescimento mediano, alta inflação e juros elevados”, afirmou o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, no comunicado.
O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, também demonstrou preocupação com o processo de desaceleração da atividade. Ele lembrou que, apesar das previsões modestas no começo do ano passado por analistas e agentes econômicos, o resultado do PIB de 2024 foi robusto, “confirmando o bom desempenho da atividade econômica”, os dados mais recentes da economia, incluindo os do PIB 4º trimestre de 2024, “já mostram sinais mais claros de acomodação da atividade econômica”.
“É importante não perdermos de vista que temos de persistir no recuo dos impulsos fiscais por conta da necessidade imperiosa de fortalecermos o equilíbrio das contas públicas, condição para o Brasil alcançar patamares de juros estruturalmente menores”, defendeu Sidney.