Título: Morrem mais rapazes que moças, diz estudo
Autor: Vieira, Pedro
Fonte: Jornal do Brasil, 21/05/2008, País, p. A3

São Paulo

As políticas públicas voltadas para a saúde do jovem brasileiro, segundo o levantamento do Ipea, ainda não fizeram frente, de modo efetivo, aos desafios fundamentais do setor. Entre os 15 e 29 anos, a violência continua sendo o principal problema, especialmente para os rapazes que morrem significativamente mais do que as moças.

Em um grupo de 100 mil pessoas, a taxa de mortalidade média das mulheres foi de 58,43 contra 261,80 dos homens. Entre 2003 e 2005, morreram cerca de 60 mil jovens do sexo masculino. Destes casos, 78% foram por causas externas, majoritariamente homicídios e acidentes de transporte. No mesmo período, morreram 15 mil jovens do sexo feminino, sendo 35% pelas mesmas causas externas.

O estudo detectou, ainda, que os pretos e os pardos morrem mais. Entre os 18 e 24 anos, para cada grupo de 100 mil jovens, a taxa de óbitos alcançou 204,58 entre os brancos e 325,04 entre os negros.

Uma das dificuldades encontradas pelos pesquisadores foi a falta de dados específicos sobre esta faixa etária. A fonte foram dados de internações em hospitais vinculados ao SUS em 2006. No caso das internações, o total envolve muito mais as mulheres, com 81,60% do total. A maior parte dos casos, 78,4%, estava relacionado com a gravidez, parto e puerpério.

Gravidez na adolescência

O tema da gravidez na adolescência mereceu atenção especial dos pesquisadores. Um total de 836.711 meninas de 15 a 19 anos já tiveram filhos, o que equivale a 11,4% da população nesta faixa etária, de acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Segundo o levantamento, o desafio do poder público é oferecer políticas eficazes para evitar gestações indesejadas e conscientizar os adolescentes sobre a importância da sexualidade saudável, de fazer escolhas consequentes e repensar os papéis de homens e mulheres de forma igualitária.

A Aids é outro problema entre os jovens. No país, houve 112 mil casos notificados da doença entre jovens de 15 a 29 anos até 2005. O total significa 30% do total de casos brasileiros desde o início da epidemia, no começo da década de 1980. A principal forma de contágio nesta época se dá por transmissão sexual, em 60% dos casos. A transmissão pelo sangue ocupa o segundo lugar, com 23% e em 96% dos ocorridos e é causada pelo uso de drogas injetáveis.

Também aumentou o número de mulheres contaminadas. A relação, que já foi de 2,4 casos registrados em homens para cada caso em mulheres, em meados da década de 1990, hoje é quase de 1,5 homem infectado para cada mulher contaminada.