Título: Condições sociais perpetuamas desigualdades no Brasil
Autor: Vieira, Pedro
Fonte: Jornal do Brasil, 21/05/2008, País, p. A3

A alta taxa de desemprego juvenil, segundo Jorge Abrahão e Luseni Aquino, mesmo na faixa abaixo de 17 anos, indica que grande parte das famílias não têm meios de manter os jovens fora do mercado de trabalho até que completem o ensino médio.

"A magnitude crescente do fenômeno faz suspeitar que haja dificuldades cada vez mais pronunciadas para jovens realizarem a transição da escola para o mundo do trabalho", destaca o estudo dos economistas do Ipea.

Fenômeno global

O trabalho ressalva ainda que o fato de os jovens representarem parcela cada vez maior no contingente de desempregados não é típico apenas do Brasil ou da América Latina. O cotejo de dados deixou claro que a taxa de desemprego juvenil registrada no Brasil ¿ a partir de estimativas formuladas com base na PNAD e na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE ¿ hoje é de 19%, menor do que as da Itália (24%), França (23%), Suécia (22%), Aergentina (24%), e Espanha (20%). Com taxas menores do que as brasileiras aparecem México (7%), Estados Unidos (11%), Inglaterra (12%) e Alemanha (15%)

Os dois coordenadores do trabalho citam indicadores de acesso dos jovens aos direitos sociais, culturais e econômicos, contidos no Informe sobre a Juventude Mundial de 2005 da Organização das Nações Unidas, mostrando um quadro desolador da não-concretização de direitos humanos para grande parte da juventude do mundo.

De acordo com o documento, de um total de 1,2 bilhão de jovens nos dois hemisférios, 200 milhões sobreviviam com menos de US$ 1 por dia, 88 milhões não tinham empregos e 10 milhões portavam o vírus da Aids.

Herança

Outro ponto em destaque no trabalho apresentado pelo Ipea é que os jovens, em geral encontram disponíveis apenas ocupações precárias, normalmente de curta duração. "Isto não seria um problema em si, caso as famílias desses jovens pudessem custear a busca por empregos melhores ou a extensão de seus conhecimentos ou, ainda, se os jovens pudessem acumular experiência em empregos de curta duração."

"No entanto", mostra ainda o estudo, "o que acontece para a maioria dos jovens oriundos de famílias assalariadas e de baixa renda é que eles ficam circulando entre ocupações de curta duração e de baixa remuneração, muitas vezes no mercado informal de trabalho. Além de não favorecer a conclusão da educação básica, esta experiência é avaliada negativamente pelos empregadores. Este processo reproduz, na existência desses jovens, desigualdades sociais herdadas da geração anterior".