Título: Fantasma de acordo pode enterrar a CPI
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 26/05/2008, País, p. A4
Trato entre governo e oposição deve evitar acareação
Brasília
Com o Congresso às voltas com a sombra de um possível acordão entre PSDB e base governista para encerrar os trabalhos de investigação, a CPI dos Cartões Corporativos vota amanhã os requerimentos para a acareação entre o o consultor legislativo do Senado André Eduardo da Silva Fernandes e o ex-chefe de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires, que enviou por e-mail para André as informações sigilosas sobre gastos do Palácio do Planalto na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A acareação visa checar as inconsistências entre os depoimentos de José Aparecido e André Eduardo. Enquanto Aparecido tira da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, qualquer responsabilidade sobre a determinação para que o banco de dados sobre os gastos de FH fosse elaborado, André sustenta ter ouvido essa informação do próprio José Aparecido, durante almoço no Clube Naval de Brasília.
No mesmo dia em que decidirá sobre a acareação dos dois personagens centrais do vazamento de dados sobre os gastos de Fernando Henrique Cardoso, a comissão votará também a convocação da diretora de Recursos Logísticos da Casa Civil, Maria de la Soledad Castrilho, do secretário de Administração, Norberto Temóteo, e do coordenador-geral de Execução Orçamentária e Financeira, Jairo Simão de Melo. E, na quarta-feira, deve retomar o depoimento de José Aparecido Nunes.
Jairo Simão teria presenciado a conversa entre José Aparecido e André Eduardo no Clube Naval. Maria de la Soledad e Norberto Temóteo são citados por Aparecido como participantes na elaboração do dossiê contra Fernando Henrique Cardoso.
Desânimo
O desânimo da oposição com as investigações ficou patente na reunião da última quarta-feira, quando a CPI não obteve quorum suficiente para continuar a ouvir José Aparecido, que teve seu depoimento adiado para a quarta-feira. Apareceram apenas nove dos 13 parlamentares necessários para abrir a sessão da comissão.
¿ Foi um fracasso anunciado de uma comissão que começou muito mal. A CPI é uma prerrogativa da oposição, mas esta foi comandada desde o início pelo governo ¿ lamentou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Para a presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), "o trabalho vai continuar", e refutou qualquer possibilidade de acordo com o governo.
A senadora tem se esforçado para conseguir reunir as assinaturas necessárias para garantir a prorrogação dos trabalhos da CPI, cujo prazo regulamentar encerra-se no próximo dia 8 de junho. Para tanto, serão necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.