Título: Unibanco lucra R$ 1,3 bi em 2004
Autor: Adriana Cotias
Fonte: Jornal do Brasil, 18/02/2005, Economia, p. A22

Geração de caixa com venda da Credicard foi usada em amortizações e provisões, afirma presidente da instituição

O Unibanco fechou o quarto trimestre de 2004 com lucro líquido de R$ 375 milhões, o que levou o resultado acumulado do ano a R$ 1,283 bilhão, 22% maior do que o obtido em 2003. Segundo levantamento da Economatica, em termos reais, trata-se do segundo melhor desempenho da história do banco, perdendo apenas para os ganhos registrados em 2001. No ano passado, o retorno sobre o patrimônio líquido chegou a 16,8%. Só nos três últimos meses, a rentabilidade sobre o capital investido atingiu a marca de 20,1%, o melhor retorno trimestral atingido pelo banco em três anos e antecipando, pelo menos sazonalmente, a meta fixada pelo presidente Pedro Moreira Salles para 2006. Nesse desempenho, não há nenhum impacto das vendas das participações na Credicard e na Orbitall, que geraram um caixa de R$ 1,7 bilhão em dezembro.

- O banco eliminou ágios, reforçou provisões e deixou o balanço mais leve para ampliar sua lucratividade no futuro - disse Pedro Moreira Salles, presidente do terceiro maior banco privado brasileiro, com ativos de R$ 79,35 bilhões.

A saída do Unibanco da sociedade que tinha na Credicard e na Orbitall com o Itaú e o Citibank foi quase integralmente absorvida pela amortização de R$ 828 milhões em ágio de empresas incorporadas, principalmente o Banco Bandeirantes, e por provisões extras para crédito (R$ 364 milhões), contingências fiscais (R$ 311 milhões) e reestruturação (R$ 151 milhões). Para a conta de resultado extraordinário sobrou apenas R$ 1,142 milhão.

Segundo o vice-presidente corporativo, Geraldo Travaglia Filho, ainda restam cerca de R$ 600 milhões em ágios decorrentes das aquisições da Fininvest e da Hipercard.

- São empresas que têm resultados superiores ao fluxo de amortização.

O executivo conta que, não fosse a venda da Credicard e da Orbitall, as despesas com amortizações neste ano chegariam a R$ 120 milhões. Ele explica que a venda tem um duplo efeito: elimina o ágio do balanço e os fluxos futuros de amortização, alavancando os resultados.

Apesar de considerar a Credicard um excelente negócio, Moreira Salles afirma que o Unibanco preferiu não participar das discussões sobre o destino da administradora, convertida em banco no ano passado.

- É uma marca fantástica, mas é difícil chegar a um consenso quando as conversas envolvem três sócios concorrentes - diz - Este era um negócio que já foi muito mais relevante para o banco quatro, cinco anos atrás - complementa, referindo-se ao Banco Unicard e à HiperCard, a bandeira originada na rede de supermercados Bompreço, adquirida em março passado por US$ 200 milhões.

Em 2004, a carteira de crédito global apresentou expansão de 14,7%, a R$ 31,7 bilhões, mas as linhas massificadas cresceram mais. Só no quarto trimestre, as operações com pessoas físicas aumentaram 9,6%; no ano, cresceram 23,2%, para R$ 11,5 bilhões. A área de cartões teve incremento de 32,4%, a R$ 2,7 bilhões. Em micro e pequenas empresas, o portfólio foi ampliado em 52,7%, para R$ 4,4 bilhões, enquanto a carteira de ''middle'' chegou a R$ 1,7 bilhão (+16%). O crédito para grandes empresas subiu só 0,8%, a R$ 14 bilhões.

Para este ano, a previsão do banco é de que os volumes emprestados cresçam entre 15% e 20%, com as operações de varejo aumentando entre 20% e 25%. No atacado, a expectativa é de incremento de 5% a 10%. Tais estimativas consideram uma projeção de alta de 3,7% para o PIB e 5,8% para o IPCA.